. Falei com os anjos, também, a respeito da paz e disse que, no mundo, diz-se que há paz quando cessam as guerras e as hostilidades entre os reinos e quando cessam as inimizades e as discórdias entre os homens; e se acredita que a paz interna seja o repouso do espírito pelo afastamento dos cuidados e, principalmente, a tranqüilidade e o prazer pelo sucesso das coisas. Mas os anjos disseram que o repouso do espírito, a tranqüilidade e o prazer pelo afastamento dos cuidados e pelo sucesso das coisas parecem ser da paz, mas não são da paz senão naqueles que estão no bem celeste, porque a paz não existe senão nesse bem. Com efeito, a paz influi do Senhor no íntimo desses e, pelo íntimo, desce e se espalha nos inferiores e se apresenta como repouso da mente, tranqüilidade do espírito e o prazer desses. Naqueles, porém, que estão no mal, não há paz *203; parece-lhes, é verdade, que têm repouso, tranqüilidade e prazer quando lhes acontece conforme desejam, mas é algo externo e nunca interno, porque em seus interiores eles se abrasam com inimizades, ódios, desejos de vingança, fúrias e muitas cobiças más, para as quais também sua disposição é levada assim que se deparam com alguém que não lhes favorece e se manifestam quando não está presente o temor. Assim é que o prazer deles habita na insanidade, mas o dos que estão no bem, na sabedoria. A diferença é como entre o inferno e o céu. *203 Que as cobiças, que são do amor de si e do mundo, tirem completamente a paz (n. 3170, 5662). Que alguns põem a paz no desassossego e nas coisas que são contrárias à paz (n. 5662). Que não exista a paz exceto se as cobiças do mal forem removidas (n. 5662).