. A inteligência celeste é a inteligência interior, oriunda do amor do vero não por causa de alguma glória no mundo, nem por causa de alguma glória no céu, mas por causa do vero mesmo, pelo qual se é intimamente tocado e com o qual se tem deleite. Os que são tocados pelo vero e nele têm deleite, são tocados pela luz do céu e nela se deleitam. E os que estão na luz do céu também têm o Divino vero e, de fato, o Senhor mesmo, pois a luz do céu é o Divino vero e o Divino vero é o Senhor no céu (veja-se acima, ns. 126-140). Essa luz entra apenas nos interiores da mente, pois os interiores da mente foram formados para recebê-la e, conforme entra, toca e produz e deleite. Com efeito, tudo o que influi do céu e é recebido tem em si o prazer e o contentamento. Daí existe a genuína afeição do vero, que é a afeição do vero por causa do vero. Os que estão nessa afeição, ou, o que é o mesmo, os que estão nesse amor, estão na inteligência celeste e brilham no céu como o esplendor da expansão. Que esses brilhem, é porque o Divino vero brilha, onde quer que esteja no céu (veja-se n. 132) e a “expansão” do céu, pela correspondência, significa esse intelectual que está na luz do céu, tanto nos anjos quantos nos homens. Mas os que estão no amor do vero por causa da glória no mundo, ou por causa da glória no céu, esses não podem estar na luz do céu, porque não têm deleite na luz mesma do céu nem por ela são tocados, mas pela luz do mundo e esta luz sem aquela, do céu, é mera escuridão *227. Com efeito, a glória de si predomina, porque é o propósito pelo qual se age e quando essa glória é o propósito, então o homem tem em vista principalmente a si mesmo e os veros, que servem à sua glória, considera como meios para o propósito, como serviçais. Pois quem ama os Divinos veros por causa de sua glória, esse tem em vista a si mesmo e não o Senhor, nos Divinos veros, donde sua visão, que é do entendimento e da fé, se volta do céu para o mundo e do Senhor para si; daí é que estão na luz do mundo e não na luz do céu. Esses, na forma externa, ou seja, diante dos homens, mostram-se tão inteligentes e cultos quanto os que estão na luz do céu, pelo fato de falaram semelhantemente, às vezes numa espécie de sabedoria externa, porque estão excitados pelo amor de si, mas são versados em imitar as afeições celestes. Na forma externa, todavia, na qual aparecem diante dos anjos, são absolutamente outros. Por aí se pode ver, de algum modo, quem são os que se entendem por “inteligentes”, brilharão no céu como o esplendor da expansão. Quem são, porém, os que se entendem por “justificadores de muitos”, que brilharão como estrelas, dir-se-á agora.
*227 Que a luz do mundo seja para o homem externo e a luz do céu para o interno (n. 3222, 3224, 3337). Que a luz do céu influa no lume natural e que o homem natural saiba tanto quanto recebe a luz do céu (n. 4302, 4408). Que pela luz do mundo, que se cha ma lume natural, não possam ser vistas as coisas que estão na luz do céu, mas o contrário (n. 9755). Por isso, os que estão na luz solar do mundo não percebem as coisas que estão na luz do céu (n. 3108). Que a luz do mundo seja escuridão para os anjos (n . 1521, 1783, 1880).