. A inteligência e sabedoria falsa é toda aquela que não tem o reconhecimento do Divino, pois todos os que não reconhecem o Divino, mas a natureza em lugar do Divino, esses pensam pelos sensuais corpóreos e são meramente sensuais, por mais que se crêem eruditos e cultos no mundo *230. Mas a erudição deles não sobe acima das coisas que aparecem no mundo diante dos olhos, as quais eles conservam na memória e consideram quase materialmente, embora sejam as mesmas ciências que servem aos verdadeiramente inteligentes para formar o entendimento. Pelas ciências se entendem as coisas experimentais de vários gêneros: física, astronomia, química, mecânica, geometria, anatomia, psicologia, filosofia, história dos reinos e também do mundo da literatura, crítica e linguagem. Clérigos que negam o Divina não elevam seus pensamentos além das coisas sensuais que do homem externo; as coisas que são da Palavra, eles não consideram de outra maneira senão outras ciências, nem fazem delas assunto de pensamento ou de alguma intuição iluminada pela mente racional e isto pelo fato de que seus interiores foram fechados e, juntamente com estes, os exteriores próximos aos interiores. Que sejam fechados, é porque desviaram-se do céu e torceram as coisas pelas quais pudessem considerar o céu, que são os interiores da mente humana, como foi dito anteriormente. Assim é que não podem ver o que é o vero e o bem, pois que estes estão na escuridão para eles, mas o mal e o falso estão, para eles, na luz. Todavia, os homens racionais podem raciocinar e, alguns, com mais sagacidade e mais acuidade que os outros, mas pelas falácias dos sentidos confirmados pelos seus conhecimentos; e, como podem raciocinar assim, também se crêem mais sábios que os outros *231. O fogo que pela afeição abrasa os seus raciocínios é o fogo do amor de si e do mundo. São esses os que estão na falsa inteligência e sabedoria e que foram citados pelo Senhor em Mateus: “Vendo, não vêem e ouvindo, não ouvem nem entendem” (Mat. 13:13-15); e em outra passagem: “...Foram ocultas dos inteligentes e sábios e reveladas às crianças” (Mat. 11:25, 26). *230 Que o sensual seja o último da vida do homem, aderente e inerente ao seu corpo (n. 5077, 5767, 9212, 9216, 9331, 9730). Que seja chamado homem sensual aquele que julga e conclui todas as pelos sentidos do corpo e nada crê senão no que vê com os olho s e toca com as mãos (n. 5094, 7693). Que tal homem pense nos extremos e não interiormente em si (n. 5089, 5094, 6564, 7693). Que seus interiores sejam fechados, para que nada veja dos veros Divinos (n. 6564, 6844, 6845). Numa palavra, que esteja na gros seira luz natural e, assim, que nada perceba do que é da luz do céu (n. 6201, 6310, 6564, 6844, 6845, 6598, 6612, 6614, 6622, 6624). Que, por isso, seja interiormente contra as coisas que são do céu e da igreja (n 6201, 6310, 6844, 6845, 6948, 6949). Que os eruditos que se confirmaram contra os veros da igreja sejam sensuais (n. 6316). Qual é o sensual do homem, descrito (n. 10236). *231 Que os homens sensuais raciocinem sagaz e penetrantemente, porquanto põem toda inteligência na linguagem pela memória corpórea (n. 195, 196, 5700, 10236). Mas que seja pelas falácias dos sentidos (n. 5084, 6948, 6949, 7693). Que os homens sensuais s ejam mais astutos e maliciosos que os outros (n. 7693, 10236). Que esses tenham sido chamados “serpentes da árvore da ciência” pelos antigos (n. 195-197, 6398, 6949, 10313).