. Foi concedido falar com muitos eruditos depois de sua partida do mundo, com alguns que foram muito famosos e celebres no mundo literário por seus escritos e com alguns que não foram tão célebres, mas tiveram em si mesmos uma sabedoria reservada. Dentre eles, os que de coração negaram o Divino, ainda que de boca O tenham professado, tornaram-se tão estúpidos que mal podiam compreender algum vero civil e ainda menos algum vero espiritual. Foi percebido – e também visto – que seus interiores da mente eram tão fechados que apareciam como algo negro (esses fatos se apresentam à vista no mundo espiritual) e, assim, que não podiam suportar luz celeste alguma, tampouco admitir algum influxo do céu. Esse negrume em que apareceram os seus interiores era maior e mais extenso naqueles que se confirmaram contra o Divino pelos conhecimentos de sua erudição. Esses, na outra vida, recebem pelo prazer todo falso, de que se imbuem como uma esponja absorve a água e repelem todo vero, assim como uma mola *232 óssea repele o que nela cair. Também foi dito que são ossificados os interiores daqueles que se confirmaram contra o Divino e a favor da natureza. A cabeça deles aparece calosa, como de ébano, estendendo-se até o nariz, indício de que não estão mais na percepção. Os que são assim imergem em abismos que aparecem como pântanos, onde são perturbados pelas fantasias em que se transformaram seus falsos. O fogo infernal para eles é a cobiça da glória e da reputação, cobiça pela qual cada um investe contra o outro e, pelo ardor infernal, atormenta ali aqueles que não lhes prestam culto como a divindades e isso fazem alternadamente, uns com os outros. Assim se torna todo erudito do mundo que não recebe em si a luz do céu pelo reconhecimento do Divino. *232 N. do T. = Literalmente “elater osseus”