. Os que, no entanto, adquiriram para si inteligência e sabedoria por meio dos conhecimentos e ciências, ou seja, os que aplicaram todas as coisas ao uso da vida e, ao mesmo tempo, reconheceram o Divino, amaram a Palavra e viveram uma vida moral espiritual (de que se tratou acima, n. 319), para esses as ciências serviram como meios de saber e também de corroborar as coisas que são da fé. Os interiores que são de sua mente foram percebidos e também vistos como uma transparência da luz, numa cor branca flamejante ou azulada, como a cor dos diamantes, rubis e safiras, que são transluzentes e isto segundo as confirmações pelas ciências em favor do Divino e dos veros Divinos. A verdadeira inteligência e sabedoria aparece assim, quando se apresenta à vista no mundo espiritual e isto ela tira da luz do céu, que é o Divino vero procedendo do Senhor, do qual vem toda inteligência e sabedoria (veja-se acima, ns. 126-133). Os planos dessa luz, na qual existem as variações como as das cores, são os interiores da mente; e as confirmações das verdades Divinas pelas coisas que estão na natureza, isto é, as que são das ciências, produzem essas variações *234. Pois a mente interior do homem atenta para as coisas da memória natural e, ali, as que confirmam, sublima, por assim dizer, pelo fogo do amor celeste e as extrai e purifica em idéias espirituais. Enquanto vive no corpo, o homem ignora que isto assim se faça, uma vez que aí pensa natural e espiritualmente, mas então não percebe as coisas que pensa espiritualmente, mas só as que pensa naturalmente. Mas quando vem ao mundo espiritual, então não percebe as coisas que tinha pensado naturalmente no mundo, mas as que tinha pensado espiritualmente. Assim, o estado é mudado. Por aí é evidente que o homem se torna espiritual por meio dos conhecimentos e ciências e que esses são os meios de saber, mas apenas para aqueles que reconheceram o Divino pela fé e vida. Esses são, também, aceitos mais do que os outros no céu e ali estão entre os que se acham no meio (n. 43), porque estão na luz mais do que os outros. Esses são os inteligentes e sábios no céu, que brilham como o esplendor da expansão e que luzem como as estrelas. Mas são simples ali os que reconheceram o Divino, amaram a Palavra e viveram uma vida espiritual moral, sem, no entanto, cultivar os interiores de sua mente pelos conhecimentos e ciências. A mente humana é como o humo, que é tal e qual é cultivado.
Extratos dos Arcanos Celestes a respeito dos conhecimentos.
Que o homem deva ser imbuído de ciências e conhecimentos [cognitionibus], visto que por elas aprende a pensar, depois a entender o que é o vero e o bem e, finalmente, a saber (n. 129, 1450, 1451, 1453, 1548, 1802).
Que os conhecimentos [scientifica] sejam as coisas primárias sobre as quais é erigida e fundada a vida do homem, tanto a civil e a moral quanto a espiritual; e que sejam aprendidos por causa de um uso como fim (n. 1489, 3310).
Que as cognições [cognitiones] abram o caminho ao homem interno e, depois, o conjuntem ao externo segundo o uso (n. 1563, 1616). Que o racional nasça pelas ciências e cognições (n. 1895, 1900, 3086). Não, porém, pelas cognições mesmas, mas pelas afeições do uso por elas (n. 1895).
Que haja conhecimentos que admitem os veros Divinos e há os que não os admitem (n. 5213).
Que os conhecimentos vãos devam ser dissipados (n. 1489, 1492, 1499, 1580[? 1581]).
Que os conhecimentos vãos sejam os que têm por fim e confirmam os amores de si e do mundo e que desviam dos amores a Deus e para com o próximo, porque fecham os internos do homem ao ponto de o homem não poder depois receber coisa alguma do céu (n. 1563, 1600).
Que os conhecimentos sejam meios de saber e meios de se tornar insensato e que por eles o interno do homem ou é aberto ou é fechado e, assim, o racional ou é cultivado ou é destruído (n. 4156, 8628, 9922).
Que o homem interno seja aberto e sucessivamente aperfeiçoado pelos conhecimentos se o homem tem por fim um bom uso, principalmente um uso que tenham em vista a vida eterna (n. 3086).
Que, então, as coisas espirituais e celestes do homem espiritual vêm ao encontro dos conhecimentos, que estão no homem natural e adotam o que convém (n. 1495).
Que os usos da vida celeste sejam então tirados pelo Senhor, por meio do homem interno, dos conhecimentos que estão no homem natural e são aperfeiçoados e elevados (n. 1895, 1896, 1900-1902, 5871, 5874, 5901). E que os conhecimentos incongruentes e opostos sejam rejeitados para o lado e eliminados (n. 5871, 5886, 5889).
Que a visão interna do homem não evoque outra coisa dos conhecimentos do homem externo senão as que são do seu amor (n. 9394).
Que sob a visão do homem interno, tudo o que pertence ao amor esteja no meio e na claridade e tudo o que não pertence ao seu amor esteja para os lados e na obscuridade (n. 6068, 6084).
Que os conhecimentos convenientes sejam sucessivamente implantados em seus amores e, por assim dizer, neles habitem (n. 6325).
Que o homem nasceria na inteligência, se nascesse no amor para com o próximo; mas, como nasce no amor de si e do mundo, por isso nasce em total ignorância (n. 6323, 6325).
Que a ciência, a inteligência e a sabedoria sejam filhas do amor a Deus e do amor para com o próximo (n. 1226, 2049, 2116).
Que uma coisa seja saber, outra entender e outra fazer; mas que, porém, naqueles que estão na vida espiritual, por conseguinte, na ordem, estes estejam ao mesmo tempo no fazer ou nos feitos (n. 10331).
Que uma coisa seja saber, outra reconhecer e outra ter fé (n. 896).
Que os conhecimentos que são do homem externo ou natural estejam na luz do mundo; mas os veros que são praticados são da fé e do amor e assim, adquiriram vida, estejam na luz do céu (n. 5212).
Que os veros que adquirem a vida espiritual sejam compreendidas pelas idéias naturais (n. 5510).
Que haja influxo espiritual pelo homem interno ou espiritual nos conhecimentos que estão no externo ou natural (n. 1940, 8005). Que os conhecimentos sejam receptáculos e, por assim dizer, vasos do vero e do bem, que são do homem interno (n. 1469, 1496, 3068, 5489, 6004, 6023, 6052, 6071, 6077, 7770, 9922).
Que os conhecimentos sejam como espelhos em que aparecem como em imagem os veros e bens do homem interno (n. 5201).
Que aí estejam juntos como em seu último (n. 5373, 5874, 5886, 5901, 6004, 6023, 6052, 6071).
Que haja influxo espiritual e não físico, isto é, que haja influxo do homem interno no externo, assim, em seus conhecimentos, mas não do externo no interno, assim, de seus conhecimentos nos veros da fé (n. 3219, 5119, 5259, 5427, 5428, 5478, 6322, 9110).
Que o princípio deva ser tirado dos veros da doutrina da igreja, pela Palavra e primeiro deve ser reconhecido e que, em seguida, seja permitido consultar os conhecimentos (n. 6047). Assim, que seja permitido aos que estão no afirmativo sobre os veros da fé confirmá-los intelectualmente pelos conhecimentos, mas não aos que estão no negativo (n. 2568, 2588, 4760, 6047).
Que nunca creia aquele que não crê nos Divinos a menos que seja persuadido pelos conhecimentos (n. 2094, 2832).
Que seja contra ordem entrar pelos conhecimentos nos veros da fé (n. 10236).
Que os que fazem isso se tornam insanos quanto às coisas que são do céu e da igreja (n. 128-130).
Que caiam em falsidades do mal (n. 232, 233, 6647). E que, na outra vida, quando pensa sobre as coisas espirituais, ficam como que ébrios (n. 1072).
Quais eles são, alem disso (n. 196).
Exemplos que ilustram que as coisas espirituais não podem ser compreendidas, se se entrar nelas pelos conhecimentos (n. 233, 2094, 2194, 2203, 2209).
Que muitos eruditos sejam mais insensatos nas coisas espirituais que os simples, por que estão no negativo, ao qual eles confirmam pelos conhecimentos que têm continua e abundantemente diante dos olhos (n. 4760, 8629).
Que raciocinem com rigor os que raciocinam pelos conhecimentos contra os veros da fé, porque o fazem pelas falácias dos sentidos que adquirem e de que se persuadem, as quais dificilmente podem ser dissipadas (n. 5700).
O que são e como são as falácias dos sentidos (n. 5084, 5094, 6400, 6948). Que aqueles que nada entendem do vero e também estão no mal não possam raciocinar sobre os veros e bens da fé e também não possam entendê-los (n. 4214).
Que não seja da inteligência somente confirmar o dogma, mas, sim, vê-lo, antes que seja confirmado, se é um vero ou não (n. 4741, 6647).
Que as ciências nada fazem após a morte, mas aquilo que o homem das ciências pelo entendimento e vida (n. 2480).
Que todas e cada uma das coisas dos conhecimentos sempre permaneçam após a morte, mas que repousem (n. 2476-2479, 2481-2486).
Que os mesmos os conhecimentos nos maus sejam falsos, porque são aplicados aos males e nos bens sejam veros, porque são aplicados ao bem (n. 6917). Que os conhecimentos verdadeiros nos maus não sejam veros, ainda que pareçam veros quando falam deles, porque têm em si o mal (n. 10331).
Qual é, nos espíritos, o desejo de saber; exemplo (n. 1973, 1974).
Que haja nos anjos um desejo imenso de conhecer e saber, visto que a ciência, a inteligência e a sabedoria são a comida espiritual (n. 3114, 4459, 4792, 4976, 5147, 5293, 5340, 5342, 5410, 5426, 5576, 5582, 5588, 5655, 6277, 8562, 9003). Que ciência dos antigos tenha sido a ciência das correspondências e das representações, pelas qual se introduziram no conhecimento das coisas espirituais, mas que essa ciência hoje esteja inteiramente perdida. (n. 4844, 4749, 4965, 4965).
Que os veros espirituais não possam ser compreendidos, a não ser que se conheça em seqüência esses universais, a saber: (i.) Que todas as coisas no universo, para que sejam alguma coisa, se referem ao bem e vero e à conjunção de um e outro; assim, ao amor e à fé e à conjunção destes. (ii.) Que em homem há um entendimento e uma vontade e que entendimento seja o receptáculo do vero e a vontade, do bem e que todas as coisas se referem a essas duas e a conjunção delas no homem, assim como todas as coisas se referem ao vero e ao bem e a conjunção destes. (iii.) Que o homem é interno e externo e que esses são distintos entre si como o céu e o mundo e, todavia, devem fazer um só, para que o seja verdadeiramente homem. (iv) Que o homem interno está na luz do céu e o externo na luz do mundo; e que a luz do céu é Divino vero mesmo, de que procede toda inteligência. (v.) Que há uma correspondência entre as coisas estão no homem interno e no homem externo e que daí elas se apresentam de uma e outra parte sob uma aparência diferente, ao ponto de não serem distinguidos senão pela ciência das correspondências. Se não se sabe estas e muitas outras coisas, não se pode ter e formar alguma idéia dos veros espirituais e celestes a não ser idéias incongruentes e, assim, que os conhecimentos e cognições que são do homem natural sem esses universais pouco podem servir ao homem racional para entendimento e incremento. Assim é evidentes quão necessários são os conhecimentos.
*234 Que no céu apareçam cores belíssimas (ns. 1053, 1624). Que as cores no céu sejam da luz ali e que sejam suas modificações e variações (ns. 1042, 1043, 1053, 1624, 3993, 4530, 4922, 4742). Assim, que sejam aparências do vero procedente do bem e que s ignifiquem coisas tais que são da inteligência e da sabedoria (ns. 4530, 4677, 4922, 9466).