. Cada homem, depois da morte, conserva sua afeição ou amor dominante, que não é extirpado na eternidade. Porquanto o espírito do homem é absolutamente como é seu amor e – o que é um arcano – o corpo de cada espírito e cada anjo é seu amor na forma externa, inteiramente correspondente à forma interna que é de sua disposição e sua mente. Assim é que os espíritos são conhecidos quais são pela face, pelos gestos e pela linguagem; e também o homem, enquanto vive no mundo, seria conhecido quanto ao seu espírito, se não tivesse aprendido a simular face, gesto e linguagem que não são seus. Assim se pode ver que o homem permanece eternamente tal que é sua afeição ou amor predominante. Foi-me concedido falar com alguns que viveram a dezessete séculos, cuja vida é conhecida pelos escritos daquele tempo e foi constatado que o seu amor ainda os dirige, como então tinha sido. Assim se pode ver, também, que o amor das riquezas e dos usos pelas riquezas permanece em cada um pela eternidade e é inteiramente tal qual foi adquirido no mundo, com essa diferença, todavia, que naqueles que as riquezas serviram para usos bons usos se mudam em prazeres segundo os usos e, naqueles que as riquezas serviram para maus usos se mudam em sordidez, nas quais, também, eles se deleitam de modo semelhante de quando no mundo, quando elas serviram para maus usos. Que eles então se deleitem na sordidez, é porque as volúpias impuras e as iniqüidades, que foram os usos tirados delas – como é o amor das riquezas sem o uso – correspondem à sordidez. A sordidez espiritual não é outra coisa.