HH 364

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Os pobres não vêm ao céu por causa da pobreza, mas por causa da vida. A vida de cada um o segue, seja rico ou pobre. A misericórdia não é peculiar a um mais do que a outro *239: o que vive bem é recebido e o que vive mal é rejeitado. Além disso, a pobreza igualmente seduz e afasta o homem do céu, assim como a opulência. Há entre eles muitíssimos que não estão contentes com sua sorte, ambicionam muitas coisas e crêem que a opulência seja bênção *240. Por isso, quando não a recebem, se encolerizam e pensam mal a respeito da Divina providência; também invejam os bens dos outros. Além disso, também, igualmente defraudam os outros quando têm ocasião e vivem também em sórdidas volúpias. Mas é diferente com os pobres que se contentam com sua sorte, são leais e diligentes em sua obra, amam o trabalho mais do que ócio, agem sincera e fielmente e, ao mesmo tempo, vivem a vida cristã. Falei algumas vezes com uns que eram oriundos da gente rústica e da plebe e que, quando viveram no mundo, creram em Deus e fizeram o justo e o direito em suas obras. Esses, porque estavam na afeição de conhecer o vero, inquiriam o que é a caridade e a fé, porque tinham ouvido muitas coisas no mundo a respeito da fé, mas, na outra vida, muitas coisas a respeito da caridade. Por isso lhes foi dito que a caridade é tudo o que é da vida e a fé é tudo o que é da doutrina. Por conseguinte, que a caridade é querer e fazer o justo e o direito em toda obra, mas a fé é pensar justa e retamente; e que a fé e a caridade se conjuntam como a doutrina e a vida segundo a doutrina, ou como o pensamento e a vontade; e que a fé se torna caridade quando aquilo que o homem pensa justa e retamente também quer e faz e, quando se faz isso, não são duas, mas uma só coisa. Isso eles entenderam bem e se regozijaram, dizendo que não tinham compreendido no mundo que crer fosse coisa diferente de viver.

*239 Que não exista misericórdia imediata, mas mediata, isto é, para aqueles que vivem segundo os preceitos do Senhor, os quais Ele conduz pela misericórdia continuamente no mundo e, depois, na eternidade (n. 8700, 10659).
*240 Que as dignidades e riquezas não sejam bênçãos reais; por isso são tantos dos maus quanto dos bons (n. 8939, 10775, 10776). Que a bênção real seja a recepção do amor e da fé provenientes do Senhor e, por aí, a conjunção, pois daí vem a felicidade et erna (n. 1420, 1422, 2846, 3017, 3406, 3504, 3514, 3530, 3565, 3584, 4216, 4981, 8939, 10495).

📚 Versão Impressa

Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.