. Por aí se pode ver que os ricos, assim como os pobres, vêm ao céu e um tão facilmente quanto o outro. A razão de se crer que os pobres vêm facilmente e os ricos dificilmente é porque a Palavra não é entendida onde os ricos e pobres são citados. Pelos “ricos”, ali, se entendem, no sentido espiritual, aqueles que têm abundância de conhecimentos do bem e do vero, assim, os que estão dentro da igreja onde há a Palavra; e pelos “pobres”, aqueles que carecem desses conhecimentos e que [todavia] os desejam, assim, os que estão fora da igreja, onde não há a Palavra. Pelo “rico” que se vestia de púrpura e linho e foi lançado no inferno se entende a nação judaica, que, porque tinha a Palavra e, assim, abundância de conhecimentos do bem e do vero, foi chamada “rica”. Pela “vestimenta de púrpura” são também significados os conhecimentos do bem e pelas “vestes de linho”, os conhecimentos do vero *241. Pelo “pobre”, porém, que se deitava à entrada, desejava se saciar com as migalhas que caíam da mesa do rico e foi levado ao céu pelos anjos, se entendem as nações que não tinham os conhecimentos do bem e do vero e, todavia, os desejavam (Lucas 16:19-31). Pelos “ricos” que foram chamados à grande ceia e se desculparam se entende também a nação judaica; e pelos “pobres” que foram introduzidos no lugar daqueles, as nações que estavam foram da igreja (Lucas 24:16-24). Quem se entende pelo rico, do qual o Senhor disse:
“É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Mat. 19:24),
também se dirá. Pelo “rico”, aí, se entendem os ricos em um e outro sentidos, tanto natural quanto espiritual. No sentido natural, os ricos são os que têm riquezas em abundância e põem nelas o coração. No sentido espiritual, porém, são os que têm abundância de cognições e conhecimentos *242, pois estas são as riquezas espirituais e por elas querem se introduzir, pela própria inteligência, nas coisas que são do céu e da igreja. Como isso é contra a ordem Divina, foi dito que é mais fácil o camelo passar pelo fundo de uma agulha. Com efeito, nesse sentido o “camelo” significa o cognitivo e o científico em geral e o “fundo da agulha”, o vero espiritual *243. Hoje se ignora que pelo “camelo” e pelo “fundo da agulha” se entendam essas coisas, porque até agora não foi aberta a ciência que ensina o que é significado no sentido espiritual pelas coisas que são ditas no sentido literal na Palavra. Com efeito, há, na Palavra, um sentido espiritual e também um natural, pois a Palavra foi escrita por meras correspondências para que houvesse uma conjunção do céu com o mundo, ou dos anjos com os homens, depois que acabou a conjunção imediata. Assim é evidente o que se entende aí pelo “rico” em particular. Que pelos “ricos”, na Palavra, se entendam, no sentido espiritual, os que estão nos conhecimentos do vero e do bem e, pelas “riquezas”, os conhecimentos mesmos, que também são riquezas espirituais, pode-se ver por várias passagens ali. (Que se vejam Isa. 10:12-14; 30:6, 7; 45:3; Jer. 17:3; 48:7; 50:36, 37; 51:13; Dan. 5:2-4; Ezeq. 26:7, 12; 27:1 ao fim; Zac. 9:3, 4; Sal. 45:12; Osé. 12:9; Apoc. 3:17, 18; Luc. 14:33; e outras passagens). E que, também, pelos “pobres” sejam significados, no sentido espiritual, os que não têm conhecimentos do vero e do bem e, todavia, os desejam, (Mat. 11:5; Luc. 6:20, 21; 14:21; Isa. 14:30; 29:19; 41:17, 18; Sof. 3:12, 13). Todas essas passagens se vêem explicadas segundo o sentido espiritual nos Arcanos Celestes (n. 10227).
*241 Que as “vestimentas” signifiquem os veros, assim, os conhecimentos (n. 1073, 2576, 5319, 5954, 9212, 9216, 9952, 10536). Que a “púrpura” signifique o bem celeste (n. 9467). Que o “linho” signifique o vero de origem celeste (n. 5319, 9469, 9744).
*242 N. do T. – No latim, cognitionibus e sientiis.
*243 Que o “camelo”, na Palavra, signifique o cognitivo e o científico em geral (n. 3048, 3071, 3143, 3145). O que é “bordado”, “bordar” e, assim, “agulha” (n. 6988). Que entrar pelos conhecimentos nos veros da fé seja contra a ordem Divina (n. 10236). Q ue aqueles que isto fazem se tornem insanos quanto às coisas que são do céu e da igreja (n. 128, 129, 130, 232, 233, 6047). E que, na outra vida, quando pensam sobre as coisas espirituais, tornem-se como ébrios (n. 1072). Quais são, além disso (n. 196). Exemplos que ilustram que as coisas espirituais não podem ser compreendidas se se entra por eles [os conhecimentos] (n. 233, 2094, 2196, 2203, 2209). Que seja lícito entrar pelos veros espirituais nos conhecimentos que são do homem natural, mas não o con trário, porque há influxo do espiritual no natural, mas não influxo do natural no espiritual (n. 3219, 5119, 5259, 5427, 5428, 5476, 6322, 9110). Que os veros da Palavra e da Igreja devam ser reconhecidos e, em seguida, se deva consultar os conhecimentos , mas não o contrário (n. 6047).