HH 379

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. O amor verdadeiramente conjugal não é possível entre um marido e muitas esposas, porque isso destrói a sua origem espiritual, que consiste em que de duas seja formada uma só mente. Por conseguinte, isso destrói a conjunção interior, que é do bem e do vero, da qual provém a essência mesma do amor. O casamento com muitas além de uma é como um entendimento dividido em várias vontades e como o homem ligado não a uma, mas a várias igrejas, pois que assim sua fé é destruída até se tornar nula. Os anjos dizem que ter muitas esposa é inteiramente contra a ordem Divina e que sabem isso por muitas razões e também por esta, a saber, assim que pensam sobre o casamento com muitas, são afastados da beatitude interna e da felicidade celeste e então se tornam como ébrios, porque o bem neles é disjunto de seu vero; e como os interiores que são de suas mentes entram num tal estado só pelo pensamento com alguma intenção, percebem claramente que o casamento com muitas além de uma fecha o seu interno e faz que em lugar do amor conjugal se insinue o amor da lascívia, amor esse que desvia do céu *249. Dizem, além disso, que o homem dificilmente pode compreender isso, porque poucos são os que estão no amor conjugal genuíno e os que não estão nada sabem, absolutamente, do prazer interior que reside nesse amor, mas somente do prazer da lascívia, prazer esse que se muda em desprazer após uma breve coabitação. Mas o prazer do amor verdadeiramente conjugal não somente persiste até à velhice no mundo, mas também se torna prazer no céu, após a morte e, então, é cheio de um prazer interior que se aperfeiçoa pela eternidade. Disseram, também, que as beatitudes do amor verdadeiramente conjugal podem ser enumeradas em muitos milhares, dos quais nem uma sequer é conhecida do homem, nem pode ser compreendida pelo entendimento por alguém que não esteja pelo Senhor no casamento do bem e do vero.

*249 Visto que o marido e a esposa serão um só e coabitarão nos íntimos da vida e visto que fazem, juntos, um só anjo no céu, por isso o amor verdadeiramente conjugal não é possível entre um marido e muitas esposas (n. 1907, 2740). Que ter várias esposas ao mesmo tempo seja contra a ordem Divina (n. 10837). Que não haja casamento senão de um marido com uma esposa, o que é claramente percebido por aqueles que estão no reino celeste (n. 865, 3246, 9002, 9961, 10172). A causa é que os anjos ali estão no ca samento do bem e do vero (n. 3246). Que tenha sido permitido à nação israelita ter muitas esposas acrescentar concubinas a elas, mas não ao cristãos; a razão era que aquela nação estava nos externos sem os internos, enquanto os cristãos podem estar nos i nternos e, assim, no casamento do bem e do vero (n. 3246, 4837, 8809).

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