HH 385

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Havia alguns espíritos que, por um hábito na vida do corpo, me infestavam com uma sagacidade peculiar e isso por um influxo suavíssimo, como ondulante, como se dá no caso dos espíritos probos. Mas foi percebido que havia neles astúcia e coisas semelhantes para iludir e enganar. Finalmente, falei com um deles que, como me foi dito, tinha sido comandante de exército quando vivia no mundo. E como percebi que nas idéias de seu pensamento havia lascívia, falei com ele sobre o casamento na linguagem espiritual – por meio de representativos – que exprime os sentidos plenamente e muitas coisas num só momento. Ele disse que na vida do corpo tinha considerado os adultérios como se nada fossem. Mas foi concedido dizer-lhe que os adultérios são nefandos, ainda que não apareçam assim aos que são tais, pelo prazer que sentem e pela persuasão daí proveniente e, até, que são lícitos. Que isso se pode saber pelo fato de os casamentos serem as sementeiras do gênero humano e, assim, também a sementeira do reino celeste; por conseguinte, não se deve jamais violá-los, mas considerá-los como santos. Também, pelo fato de ele saber que estava na outra vida e, assim, no estado de percepção de que o amor conjugal descende do Senhor pelo céu e que, desse amor, como de um pai, é derivado o amor mútuo que é o fundamento do céu. E, por isso, os adúlteros, quando apenas se aproximam das sociedades celestes, o seu mau cheiro é percebido e, assim, precipitam-se no inferno. Ao menos, poderia saber que violar os casamentos é contra as leis Divinas e contra as leis civis de todos os reinos, portanto, contra o genuíno lume da razão, porque é contra a ordem Divina e humana, além de muitas coisas. Mas respondeu que não tinha pensando em tais coisas na vida do corpo. Quis raciocinar se era assim, mas foi-lhe dito que a verdade não admite raciocínios, porque esses apóiam os prazeres, assim, os males e falsos; e que ele devia primeiro pensar nas coisas que lhe foram ditas porque são verdadeiras ou, também por esse princípio que é muito conhecido no mundo, que ninguém deve fazer a outro aquilo que não quer que o outro lhe faça. Portanto, se alguém lhe tivesse seduzido desse modo a esposa que amava de modo tal como fizera no princípio do casamento e, se estivesse num estado de inflamação a respeito disso e falasse a partir desse estado, se acaso não pensaria que os adultérios são detestáveis. E também, como era dotado de perspicácia, se confirmaria mais do que os outros contra o adultério, ao ponto de condená-lo ao inferno.

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