. Por aí se pode concluir quais são as subordinações nos céus, a saber, que conforme cada um ama, estima e honra o uso, assim também ama, estima e honra a pessoa a quem o uso foi adjunto. E, também, a pessoa é amada, estimada e honrada na medida em que não atribui o uso a si, mas ao Senhor, porque tanto é mais sábia quanto mais o uso que presta é prestado pelo bem. O amor, a estima e a honra espirituais não são outra coisa senão o amor, a estima e a honra dos usos na pessoa. E a honra é da pessoa pelo uso e não do uso pela pessoa. Quem considera os homens pelo vero espiritual não os considera de outro modo, pois vê um homem semelhante ao outro, seja em grande dignidade, seja em pequena, mas vê a diferença somente na sabedoria e a sabedoria é amar o uso, assim, o bem do concidadão, da sociedade, da pátria e da igreja. Nisso consiste o amor ao Senhor, porque do Senhor vem todo bem que é bem do uso; e, também, o amor para com o próximo, porque o próximo é o bem que deve ser amado no concidadão, na sociedade, na pátria e na igreja e aquilo que se lhes deve prestar *253.
*253 Que amar ao próximo não seja amar a pessoa, mas o que está nela, pelo que ela é (n. 5025, 10336). Os que amam a pessoa e não o que está nela pelo que ela é, amam igualmente o mal e o bem (n. 3820); e que beneficiam igualmente males e bens, quando, t odavia, fazer bem aos maus é fazer mal aos bons, que é não amar ao próximo (n. 3820, 6703, 8120). O juiz que pune os maus, para que sejam corrigidos e para que os bons não sejam contaminados nem lesados por eles, ama o próximo (n. 3820, 8120, 8120). Que todo homem e sociedade, tanto a pátria como a igreja e, num sentido universal, o reino do Senhor, sejam o próximo; e que fazer-lhes bem pelo amor do bem segundo a qualidade de seus estados seja amar o próximo; assim, o bem deles, que deve ser considerado , é o próximo (n. 6818-6824, 8123).