. Todos os prazeres são profluentes do amor, pois o que o homem ama, isso sente como prazer; de nenhuma outra parte vem o prazer. Daí se segue que o amor é tal qual o prazer. Os prazeres do corpo ou da carne são todos profluentes do amor de si e do amor do mundo; daí procedem também as concupiscências e suas volúpias. Mas os prazeres da alma ou do espírito são todos profluentes do amor ao Senhor e do amor para com o próximo; daí também procedem as afeições do bem e do vero e os regozijos interiores. Esses amores, com seus prazeres, influem desde o Senhor e do céu, por uma via interna que é dos superiores e afetam os interiores. Mas os outros amores, com seus prazeres, influem da carne e do mundo por uma via externa, que é dos inferiores e afetam os exteriores. Assim, quanto mais os dois amores do céu são recebidos e afetam, mais os interiores, que são da alma ou espírito, são abertos e olham do mundo para o céu. Contudo, quanto mais esses dois amores do mundo são recebidos e afetam, mais os exteriores, que são do corpo e da carne, são abertos e olham do céu para o mundo. Assim como os amores influem e são recebidos, assim também influem ao mesmo tempo os seus prazeres: nos interiores, os prazeres do céu; nos exteriores, os prazeres do mundo, porquanto todo prazer é proveniente do amor, como foi dito.