HH 420

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Que o céu não seja imenso, mas pequeno, é a opinião que alguns têm a partir de algumas passagens da Palavra entendidas segundo seu sentido da letra, como aquelas onde se diz que só os pobres são recebidos no céu, como também que só são recebidos os eleitos e os que estão dentro da igreja, por quem o Senhor intercede, e não os que estão fora; e que o céu será fechado quando estiver cheio e que esse tempo foi predeterminado. Mas esses não sabem que o céu nunca é fechado e que não há tempo algum predeterminado, nem uma multidão alguma definida. E que “eleitos” se dizem daqueles que estão na vida do bem e do vero *257 e “pobres” os que não estão nos conhecimentos do bem e do vero e, contudo, os desejam, os quais, também, por esse desejo, são chamados “famintos” *258. Os que formaram uma opinião da pequenez do céu pelo não entendimento da Palavra não sabem outra coisa senão que o céu é um lugar onde todos se reúnem, quando, todavia, o céu consiste de inúmeras sociedades (veja-se acima, n. 41-50). E, também, não sabem outra coisa senão que o céu é dado a cada um por imediata misericórdia e, assim, é somente introdução e a recepção pelo beneplácito. Tampouco entendem que o Senhor, pela misericórdia, conduz todo aquele que O recebe, e que recebe-O aquele que vive segundo as leis da ordem Divina, as quais são os preceitos do amor e da fé. E o que se entende por “misericórdia” é ser assim conduzido pelo Senhor, desde a infância até ao último momento da vida no mundo e, assim, na eternidade. Saibam, pois, que cada homem nasce para o céu e que no céu é recebido aquele que, no mundo, recebe o céu em si e é excluído aquele que o não recebe.

*257 Que os “eleitos” sejam os que estão na vida do bem e do vero (n. 3755, 3900). Que não exista eleição e recepção no céu pela misericórdia, conforme se entende, mas segundo a vida (n. 5057, 5058). Que não exista misericórdia imediata do Senhor, mas me diata, isto é, para aqueles que vivem segundo Seus preceitos, os quais Ele conduz continuamente no mundo pela misericórdia e, após a morte, na eternidade (n. 8700, 10659).
*258 Que pelos “pobres”, na Palavra, se entendam os que são espiritualmente pobres, que são aqueles que estão na ignorância do vero e, contudo, desejam ser instruídos (n. 9209, 9253, 10227). Que deles se diga “famintos” e “sedentos”, por desejarem os con hecimentos do bem e do vero, pelos quais há a introdução na igreja e no céu (n. 4958, 10227).

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