. Há duas portas também em cada homem, uma das quais dá acesso ao inferno e foi aberta para os males e falsos daí e a outra porta dá acesso ao céu e foi aberta para os bens e veros daí. A porta que foi aberta para o inferno é para aqueles que estão no mal e, assim, no falso e somente por fendas em cima influi alguma luz do céu, por qual influxo o homem pode pensar, raciocinar e falar. Mas a porta para o céu foi aberta para aqueles que estão no bem e, assim, no vero. Com efeito, há dois caminhos que levam à mente do homem racional: o caminho superior, ou interno, pelo qual entra o bem e o vero provenientes do Senhor e o caminho inferior ou externo, pelo qual o mal e o falso se insinuam do inferno. A mente racional mesma está no meio para o qual tendem os caminhos. Por isso, quanto mais a luz do céu é admitida, mais o homem é racional; porém, quanto mais não é admitida, mas não é racional, por mais que assim pareça. Estas coisas foram ditas para se saiba, também, qual é a correspondência do homem com o céu e com o inferno. Sua mente racional, enquanto está em formação, corresponde ao mundo dos espíritos; as coisas que estão acima dela, ao céu; as que estão abaixo, o inferno. Nos que estão sendo preparados para o céu, as que estão acima dela foram abertas e as que estão abaixo dela foram fechadas ao influxo do mal e do falso. Mas naqueles que estão sendo preparados para o inferno, as coisas que estão abaixo foram abertas e as que acima, fechadas ao influxo do bem e do vero. Por isso, estes últimos não podem deixar de olhar para abaixo de si, isto é, para o inferno e os primeiros não podem deixar de olhar para acima de si, isto é, para o céu. Olhar acima de si é olhar para o Senhor, porque Ele é o centro comum, para o qual se voltam todas as coisas do céu. E olhar para abaixo de si é voltar as coisas ao Senhor e voltar-se para o centro oposto, para o qual olham e se voltam todas as coisas do inferno (veja-se acima, n. 123, 124).
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