HH 449

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Fui posto num estado de insensibilidade quanto ao corpo, portanto, quase no estado do que estão morrendo, permanecendo, todavia, a vida interior inteira com o pensamento, para que eu percebesse e retivesse na memória as coisas que sucederiam e as que sucedem aos que são ressuscitados dos mortos. Percebi que a respiração do corpo era quase tirada, permanecendo a respiração interior, que é do espírito, conjunta a uma respiração tênue e tácita do corpo. Fez-se, então, primeiramente, a comunicação quanto ao batimento cardíaco com o reino celeste, visto que esse reino corresponde ao coração no homem *263. Também foram vistos anjos dali, alguns distantes e dois que estavam assentados próximos à cabeça. Assim, toda a afeição própria foi tirada, mas permanecia, no entanto, o pensamento e a percepção. Nesse estado estive por algumas horas. Então os espíritos que estavam à minha volta se retiraram, achando que eu estivesse morto. Foi sentido, também, um odor aromático, como de cadáver embalsamado, pois quando os anjos celestes estão presentes o que é cadaveroso é então sentido como aromático que, quando os espíritos sentem, não podem se aproximar. Assim, também, os maus espíritos são afastados do espírito do homem tão logo ele é introduzido na vida eterna. Os anjos que se assentavam à cabeça estavam silentes, apenas comunicando seus pensamentos com os meus; quando os pensamentos são recebidos, os anjos sabem que o espírito do homem está no seu estado e pode ser tirado do corpo. A comunicação do pensamento deles se fazia pelo olhar para a minha face, pois assim se fazem as comunicações dos pensamentos no céu. Como me foram deixados o pensamento e a percepção, a fim de que eu soubesse e lembrasse como a ressurreição acontece, percebi que os anjos primeiro inquiriram qual era o meu pensamento, se era semelhante ao dos que morrem, o qual costuma ser a respeito da vida eterna; e quiseram conservar minha mente nesse pensamento. Foi dito, depois, que o espírito do homem é conservado no seu último pensamento quando o corpo expira, até que volte aos pensamentos que provêm de suas afeições comuns ou reinantes no mundo. Principalmente foi dado perceber e também sentir que havia uma atração e como que uma evulsão dos interiores que são de minha mente, assim, do meu espírito para fora do corpo, e foi dito que isso vem do Senhor e que daí há a ressurreição.

*263 Que o coração corresponda ao reino celeste do Senhor e o pulmão ao Seu reino espiritual (n. 3635, 3886, 3887).

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