. Quando os anjos celestes estão no ressuscitado, não o deixam, porque amam a cada um. Mas, quando o espírito é tal que não pode mais estar na companhia dos anjos celestes, então anseia por se separar deles. Quando isso acontece, vêm anjos do reino espiritual do Senhor, por quem lhe é concedido o uso da luz, pois antes nada via, mas apenas pensava. Mostrou-se-me de que maneira isso se faz. Anjos pareciam enrolar, por assim dizer, uma túnica do olho esquerdo em direção ao septo nasal, para abrir o olho e lhe conceder que enxergasse. O espírito percebe que isso se faz assim, mas é uma aparência. Quando se vê que a túnica foi enrolada, aparece algo lúcido mas obscuro, quase como quando o homem, no começo do despertar, olha através das pálpebras. Vi esse lúcido obscuro de uma cor celeste, mas foi dito depois que isso se dá com variedade. Em seguida, sente-se alguma coisa ser enrolada brandamente da face e, quando se faz isso, é induzido o pensamento espiritual. Esse enrolar de cima face também é uma aparência, pois representa que do pensamento natural se vem ao pensamento espiritual. Os anjos têm o maior cuidado para que nenhuma idéia venha do ressuscitado a não ser a que procede do amor. Então lhe dizem que é um espírito. Os anjos espirituais, depois de lhe darem o uso da luz, prestam ao espírito noviço todos os serviços que ele possa desejar naquele estado e o instruem sobre as coisas que estão na outra vida, mas na medida em que ele pode compreender. Contudo, se é tal que não queira ser instruído, então o ressuscitado deseja sair da companhia dos anjos. Entretanto, os anjos não o deixam, mas ele é que se dissocia deles. Com efeito, os anjos amam a cada um e nada mais desejam do que prestar serviços, instruir e levar para o céu. Nisso consiste seu máximo deleite. Quando o espírito assim se dissocia, é recebido por bons espíritos; quando está na companhia deles, também são-lhe prestados todos os serviços. Mas se sua vida no mundo fora tal que não podia estar na companhia dos bons, então deseja também se afastar deles e isso se faz por tanto tempo e tantas vezes até que se associe a tais que sejam inteiramente convenientes à sua vida no mundo, entre os quais vem à sua vida e, então – o que é admirável – leva uma vida semelhante à que levava no mundo.