. (bis) Que o homem tenha também consigo toda a sua memória do mundo, foi mostrado muitas vezes, do que há muitas coisas vistas e ouvidas dignas de serem lembradas. Quero referir algumas delas em sua ordem. Havia uns que negavam os seus crimes e infâmias perpetrados no mundo. Por causa disso, para que não se cressem inocentes, todas as coisas foram desvendadas e enumeradas a partir de sua memória, em sua ordem, desde a primeira idade deles até à última; eram, principalmente, adultérios e escortações. Havia uns que enganaram os outros por maus artifícios e lhes tinham furtado. As suas astúcias e seus furtos foram também enumerados, dos quais muitos atos não foram conhecidos por quase ninguém no mundo, senão por eles somente. Eles também as reconheceram, porque foram manifestadas como na luz, com todo o pensamento, intenção, prazer e temor que então moviam, como uma só, as suas mentes. Havia uns que receberam presentes e obtiveram proveito da justiça: foram semelhantemente examinados por sua memória e dela todas as coisas foram enumeradas, desde o primeiro momento de suas funções até o último, em cada coisa: o quanto, o que, em que tempo e qual seu estado da mente e intenção, todas as coisas trazidas à sua lembrança e mostradas à vista, as quais eram mais de muitas centenas. Isto aconteceu com alguns e – o que é admirável – os seus próprios livros memoriais, em que escreveram tais coisas, foram abertos e diante deles foram lidos, página por página. Havia uns que seduziram virgens à desonra e violaram a castidade; foram chamados a semelhante juízo e de sua memória foi extraída e narrada cada coisa. As faces mesmas das virgens e mulheres eram também mostradas como se presentes, com os lugares, as falas e as disposições e isso tão prontamente como o que se apresenta à vista. Algumas vezes, essas manifestações duravam horas. Houve um que considerava como nada vituperar os outros; ouvi serem enumerados em ordem os seus vitupérios e também as difamações, com as palavras mesmas, sobre que pessoas e diante de quem, coisas que eram todas produzidas e apresentadas juntamente à vista; e, todavia, cada uma dessas coisas tinha sido cuidadosamente ocultada por ele quando viveu no mundo. Havia um que, sob um pretexto doloso, privou um parente de sua herança; esse também foi convencido e julgado e – o que me admirou – as cartas e as notas que houve entre eles foram lidas ao meu ouvido e foi dito que nem uma palavra faltava. Esse mesmo tinha, também, pouco antes de sua morte, assassinado clandestinamente um vizinho com veneno. Isto foi desvendado deste modo: sob os seus pés, viu-se cavar um buraco do qual saiu um homem, como de um sepulcro, que clamava a ele: “Que me fizeste?” E, então, foram reveladas todas as coisas, de que modo o envenenador tinha falado amigavelmente com ele e oferecido o copo, também o que pensara antes e o que acontecera em seguida. Tendo sido desvendadas essas coisas, ele foi julgado para o inferno. Numa palavra, todos os males, crimes, latrocínios, artimanhas e dolos são manifestados a cada mau espírito; são tirados de sua própria memória e, assim, são convencidos. Não há lugar para negação, porque todas as circunstâncias aparecem ao mesmo tempo. Ouvi, também, da memória de um, coisas que foram vistas e esclarecidas pelos anjos, as quais eram todas as que ele tinham pensado durante um mês, um dia após o outro e isso sem engano algum, coisas que eram relembradas como tinham sido em si mesmas naqueles dias. Por esses exemplos se pode ver que o homem leva consigo toda a memória e que nada é tão oculto no mundo que não seja manifestado após a morte e isso perante uma assembléia de muitos, segundo as palavras do Senhor:
“Nada... escondido está que não haja de ser descoberto e nada oculto que não haja de ser conhecido; por isso, as coisas que nas trevas dissestes, na luz serão ouvidas; e o que ao ouvido falastes... sobre os telhados será apregoado” (Luc. 12:2, 3).
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