. Um espírito estava indignado por não se lembrar das muitas coisas que conhecera na vida do corpo, deplorando o prazer que perdera e que lhe fora de máximo deleite. Foi-lhe dito, porém, que nada absolutamente perdera e que sabia todas e cada uma das coisas; e que no mundo onde agora se achava não era lhe era permitido extrair tais coisas; era bastante que agora pudesse pensar e falar muito melhor e mais perfeitamente, sem imergir seu racional, como anteriormente, na densa obscuridade material e corpórea, que não era de uso algum no reino a que agora viera. E tinha, agora, tudo o que é adequado ao uso da vida eterna e, portanto, não podia deixar de se sentir bem-aventurado e feliz. Depois, que é uma ignorância crer que se perde a inteligência com a remoção e o repouso dos materiais da memória, quando, todavia, o fato é que tanto quanto a mente puder ser abstraída dos sensuais que são do homem externo ou do corpo, mais se é elevado às coisas espirituais e celestes.