. De que modo o racional pode ser cultivado, dir-se-á também em poucas palavras. O racional genuíno consiste de veros e não de falsos. O que consiste de falsos não é racional. Os veros são de três gêneros: civis, morais e espirituais. Os veros civis se referem às coisas que são da justiça e às que são do governo nos reinos, em geral, ao justo e ao eqüitativo ali. Os veros morais se referem às coisas que são da vida de cada homem relativamente à sociedade e aos relacionamentos; em geral, ao que é sincero e direito e, em particular, às virtudes de todo gênero. E os veros espirituais se referem às coisas que são do céu e da igreja; em geral, ao bem que é do amor e ao vero que é da fé. Há três graus de vida em cada homem (veja-se acima, n. 267): o racional é aberto ao primeiro grau pelos veros civis, ao segundo grau pelos veros morais e ao terceiro grau pelos veros espirituais. Deve-se saber, porém, que o racional não é aberto pelo fato de o homem saber essas coisas, mas pelo fato de o homem viver segundo elas; e por viver segundo elas se entende amá-las por uma afeição espiritual; e amá-las por uma afeição espiritual é amar o que é justo e eqüitativo por ser justo e eqüitativo, o que é sincero e direito por ser sincero e direito, e o bem e o vero por serem o bem e vero. E viver segundo elas e amá-las por uma afeição corpórea é amá-las por causa de si, de sua reputação, da honra ou do ganho. Por isso, quanto mais o homem ama esses veros por uma afeição corpórea, menos se torna racional, pois não os ama, mas a si mesmo, a quem os veros servem como fâmulos servem ao senhor. E quando os veros se tornam serviçais, então não entram no homem nem abrem grau algum de sua vida, nem mesmo o primeiro, mas somente residem na memória, como conhecimentos, sob uma forma material e, ali, conjuntam-se ao amor de si, que é um amor corpóreo. Por aí se pode ver de que modo o homem se torna racional, a saber, ao terceiro grau pelo amor espiritual do bem e do vero, que são do céu e da igreja; ao segundo grau, pelo amor do que é sincero e direito; e, ao primeiro grau, pelo amor do que é justo e eqüitativo. Esses dois últimos amores também se tornam espirituais pelo amor espiritual do bem e do vero, porque este influi naqueles, conjunta-se a eles e forma neles como que a sua face.