HH 487

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Quais e de que qualidade são os prazeres espirituais em que são mudados os prazeres naturais de cada um após a morte, não se pode saber de outro modo senão pela ciência das correspondências. Ela ensina, em geral, que não existe coisa natural que não corresponda a algo espiritual; também ensina em particular a que corresponde e de que espécie é. Por isso, quem está nessa ciência pode saber e conhecer o seu estado após a morte, contanto que conheça o seu amor e saiba qual ele é no amor universalmente reinante a que todos os amores se referem, como foi dito há pouco, acima. Mas, conhecer o seu amor reinante é impossível àqueles que estão no amor de si, porque esses amam o que é seu, chamam bem os seus males e, ao mesmo tempo, chamam veros os falsos que os favorecem e pelos quais confirmam os seus males. Entretanto, se o quiserem, podem conhecer pelos outros que são sábios, porquanto esses vêem o que eles mesmos não vêem. Mas isso não sucede naqueles que estão tão apegados ao amor de si a ponto de rejeitarem toda doutrina dos sábios. Aqueles que, porém, estão no amor celeste, esses recebem a instrução e, pelos veros, vêem seus males em que nasceram, quando é levado para eles, pois os veros manifestam os males. Com efeito, cada um pode, pelo vero que procede do bem, ver o mal e o seu falso, mas ninguém pode, pelo mal, ver o bem e o seu vero. A razão é que os falsos do mal são trevas e também a elas correspondem. Por isso, os que estão nos falsos pelo mal são como cegos que não vêem as coisas que estão na luz e também fogem dela como aves noturnas *278. Mas os veros provenientes do bem são a luz e também correspondem à luz (veja-se acima, n. 126-134). Por isso, quem está nos veros provenientes do bem são videntes, têm os olhos abertos e discernem entre as coisas que estão na luz e as que estão na sombra. Foi-me também concedido confirmar isso pela experiência. Os anjos que estão nos céu vêem e percebem os males e falsos que, muitas vezes, aparecem neles e também os males e falsos em que estão os espíritos que se acham ligados aos infernos no mundo dos espíritos, mas os espíritos mesmos não podem ver seus males e falsos, não compreendem o que é o bem do amor celeste, o que é a consciência, o que é o sincero e o justo a não ser por causa de si, nem o que é ser conduzido pelo Senhor. Dizem que tais coisas não existem e que nada são. Essas coisas foram ditas a fim de que o homem se examine e, pelos seus prazeres, conheça o seu amor e, assim, conheça o estado de sua vida após a morte, na medida em que conhece a ciência das correspondências.

*278 Que as “trevas”, pela correspondência na Palavra, signifiquem os falsos e “densas trevas” ou escuridão os falsos do mal (n. 1839, 1860, 7688, 7711). Que a luz do céu seja a escuridão do mal (n. 1861, 6832, 8197). Que se digam, dos que estão nos infe rnos, estar nas trevas, porque estão nos falsos do mal; sobre esses (n. 3340, 4418, 4531). Que os “cegos” na Palavra signifiquem os que estão nos falsos e não querem ser instruídos (n. 2383, 6990).

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