. De que modo os prazeres de sua vida se mudam em correspondência após a morte, qualquer um pode saber pela ciência das correspondências. Mas, como essa ciência ainda não foi divulgada, quero lançar alguma luz sobre esse assunto com alguns exemplos da experiência. Todos os que estão no mal e se tinham confirmado nos falsos contra os veros da igreja, principalmente aqueles que rejeitaram a Palavra, esses fogem da luz do céu e se precipitam em grutas que aparecem escuras na entrada e em fendas das rochas; ali se escondem porque amaram os falsos e menosprezaram os veros. Com efeito, tais grutas e também tais fendas das rochas, bem como as trevas, correspondem aos falsos, assim como a luz corresponde aos veros. O prazer deles é habitar ali e têm desprazer nos campos abertos. Fazem de modo semelhante aqueles cujo prazer foi atraiçoar clandestinamente e, às escondidas, maquinar fraudes. Esses, também, estão em grutas e entram em câmaras tão escuras que não podem sequer ver um a outro e cochicham aos ouvidos, pelos cantos. Nisto se muda o prazer de seu amor. Os que se aplicaram às ciências sem outro propósito que não o de serem ouvidos como doutos e, pelas ciências, não cultivaram o racional, sentindo prazer, por vaidade, nas coisas da memória, esses amam os lugares arenosos, a que escolhem, mais do que os lugares campestres e ajardinados, visto que a aplicação deles corresponde a esses lugares arenosos. Os que estiveram no conhecimento dos doutrinais de sua igreja e das outras sem aplicarem coisa alguma à vida, esses escolhem para si lugares pedregosos e habitam entre amontoados de pedras; fogem dos lugares cultivados, porque lhes têm aversão. Os que atribuíram todas as coisas à natureza, como também os que atribuíram tudo à própria prudência e, por vários artifícios, se elevaram às honrarias e adquiriram riqueza, aplicam-se, na outra vida, a artes mágicas, que são abusos da ordem Divina, nas quais sentem o maior prazer da vida. Os que aplicaram os Divinos veros aos seus amores e, assim, os falsificaram, amam as coisas urinosas, porque as coisas urinosas correspondem ao prazer desses amores *279. Os que foram sordidamente avaros habitam em celas, amam as imundícies dos porcos e também os odores fétidos quais os que exalam das coisas indigestas do estômago. Os que levaram a vida em meras volúpias e viveram refinadamente, sendo indulgentes com a gula e com o ventre, amando essas coisas como o bem supremo da vida, esses, na outra vida, amam as coisas excrementícias e as latrinas; essas, então, são para eles o maior deleite, em razão de que essas volúpias são imundícies espirituais; fogem dos lugares limpos e livres de sujidades, porque lhes são um desprazer. Os que tiveram prazer nos adultérios passam o tempo em lupanares, onde todas as coisas são sórdidas e impuras; amam esses lugares e fogem das casas castas, onde, assim que chegam, perdem os sentidos; nada lhes traz mais prazer do que dissolver casamentos. Os que foram desejosos de vingança e, assim, contraíram uma natureza hostil e cruel, amam as coisas cadaverosas e também estão em tais infernos. E outros, de outras maneiras. *279 Que as conspurcações do vero correspondam à urina (n. 5390).