. Como assim é o espírito do homem recém chegado da vida no mundo, por isso é, então, reconhecido pelos amigos e por outros de que foi conhecido no mundo, porque isso o espírito percebe não somente pela face e pela sua linguagem, mas também pela esfera de sua vida quando se aproximam. Cada um, na outra vida, quando pensa em outro, a face deste também se apresenta no pensamento e, ao mesmo tempo, as muitas coisas que são de sua vida. E, quando isso acontece, o outro se apresenta como se convidado e chamado. Isso existe no mundo espiritual pelo fato de ali serem comunicados os pensamentos e também porque os espaços ali não são como no mundo natural (veja-se acima, n. 191-199). Assim é que todos, assim que vêm à outra vida, são reconhecidos pelos seus amigos, afins e outros somente conhecidos; também falam entre si e, por conseguinte, convivem segundo as amizades no mundo. Ouvi, muitas vezes, que aqueles que vieram do mundo ficaram contentes por verem de novo seus amigos e os amigos, por sua vez, por terem vindo a eles. É comum que um cônjuge encontre o outro cônjuge e se regozijem mutuamente; habitam, também, em união, mas por maior ou menor tempo, segundo o prazer da coabitação no mundo. No entanto, se não tiverem sido conjugidos pelo amor verdadeiramente conjugal, amor que é a conjunção das mentes pelo amor celeste, separam-se depois de alguma convivência. Mas, se as mentes dos cônjuges foram dissidentes entre si e se tiverem estado em interior aversão, então rompem-se em inimizades abertas e, às vezes, combatem entre si. Não obstante, não se separam antes de entrarem no segundo estado, do qual se tratará logo a seguir.