. Visto que a vida dos espíritos recém-chegados não é diferente da sua vida no mundo natural e como não sabem coisa alguma sobre o estado de sua vida após a morte, nem coisa alguma sobre o céu e o inferno além das que aprenderam do sentido da letra da Palavra e pela pregação daí, por isso, depois de terem ficado admirados de estarem no corpo e em todo sentido em que estiveram no mundo, e por verem coisas semelhantes, sentem um desejo de saber como é o céu, como é o inferno e onde se acham. Por isso, são instruídos pelos amigos a respeito do estado da vida eterna e, também, conduzidos a vários lugares e em várias companhias; alguns são conduzidos a cidades e também a jardins e paraísos, magníficos na maior parte, porquanto essas objetos deleitam os externos em que estão. São, às vezes, então repostos em seus pensamentos que tiveram na vida do corpo a respeito do estado de suas almas após a morte e a respeito do céu e do inferno, e isso até à indignação por terem ignorado completamente essas coisas e também porque a igreja o ignora. Quase todos desejam saber se porventura virão ao céu; a maioria acredita que virão ao céu, porque viveram uma vida moral e civil no mundo, sem imaginar que os maus e os bons vivem a mesma vida nos externos, fazem semelhante bens aos outros e, semelhantemente, freqüentam os tempos, ouvem as pregações e oram. Não sabem, absolutamente, que os atos externos e o culto externo nada fazem, mas, sim, os internos de que os externos procedem. Dentre alguns milhares, mal há um que saiba o que é o interno e que é aí que está o céu e a igreja no homem. E ainda menos há quem saiba que os atos externos são tais quais são as intenções e os pensamentos e, nestes, o amor e a fé, de que procedem. E, quando são instruídos, não compreendem que pensar e querer faça alguma coisa, mas somente o falar e o agir. Assim é a maioria dos que vêm do mundo cristão à outra vida.
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