. Todos os homens, quaisquer que sejam, são introduzidos nesse estado após a morte, pois é próprio de seu espírito. O estado anterior é tal qual era o homem, quanto ao espírito, na companhia dos outros, estado esse que não lhe é próprio. Que esse estado, ou o estado dos exteriores, em que o homem está primeiramente após a morte – de que se tratou no capítulo precedente – não seja propriamente seu, pode-se ver por muitos exemplos, como este: os espíritos não somente pensam, mas também falam por sua afeição, pois dela provém a sua linguagem, como se pode ver pelas coisas que foram ditas e mostradas no capítulo sobre a linguagem dos anjos (n. 234 - 245). Quando estava em si mesmo, o homem também pensava de modo semelhante no mundo, pois então não pensava pela linguagem de seu corpo, mas somente via as coisas e, em um minuto, via tantas coisas que depois poderia expressar por meia hora. Que o estado dos exteriores não seja próprio do homem ou de seu espírito, vê-se, também pelo fato de que, quando no mundo está na companhia dos outros, então fala segundo as leis da vida moral e civil e, então, o pensamento exterior governa o exterior como um a outro, para que não vá além dos limites do decoro e da honestidade. Vê-se, ainda, pelo fato de que, quando o homem pensa consigo mesmo, também pensa de que modo deve falar e agir para agradar e conquistar amizade, benevolência e favor, e isso por modo estranhos, assim, diferentemente do que faria se fosse por sua própria vontade. Por aí é evidente que o estado dos interiores em que o espírito é introduzido é o seu estado próprio, assim, também, próprio do homem quando vivia no mundo.