. Todos os que viveram no bem no mundo e agiram pela consciência, que são aqueles que reconheceram o Divino e amaram os Divinos veros, principalmente os que os aplicaram à vida, vêem-se, ali, quando são introduzidos no estado dos seus interiores, como os que são despertos do sono e vêm à vigília, e como os que da sombra vêm à luz; pois pensam pela luz do céu, assim, por uma sabedoria interior e agem pelo bem, assim, por uma afeição interior. O céu, também, influi nos seus pensamentos e afeições com uma felicidade e um prazer interior que nunca antes conheceram; têm, de fato, comunicação com os anjos do céu. Então reconhecem também o Senhor e O adoram por sua vida mesma, pois que estão em sua própria vida quando estão no estado dos seus interiores, como foi dito há pouco acima (n. 505); também O reconhecem e adoram pelo livre, pois o livre pertence à afeição interior. Assim, também se retiram da santidade externa e vêm à santidade interna, no que consiste verdadeiramente o culto. Tal é o estado daqueles que viveram a vida cristã segundo os preceitos na Palavra. Mas, inteiramente contrário é o estado daqueles que no mundo viveram no mal, não tinham consciência alguma e negaram, assim, o Divino, pois todos os que vivem no mal negam interiormente em si o Divino, ainda que, nos externos, suponham não negar mas reconhecer, porquanto reconhecer o Divino e viver no mal são coisas opostas. Os que são assim, na outra vida, quando vêm ao estado de seus interiores, aparecem como tolos quando se ouve o que falam e se vê o que fazem, pois, de sua cobiças do mal, precipitam-se em iniqüidades, em desprezo pelos outros, em zombarias e blasfêmias, em ódios e vinganças, maquinam fraude e, alguns deles, com tais astúcias e malícias que dificilmente se pode crer que tenham existido coisas semelhantes dentro de algum homem, pois também estão no estado livre de agir segundo os pensamentos de sua vontade, porque estão separados dos exteriores que, no mundo, os coagiram e refrearam. Numa palavra, são privados da racionalidade, porque no mundo a racionalidade não residia nos seus interiores, mas nos exteriores. E, não obstante, então parecem a si mesmos mais sábios do que os outros. Porque são tais, por isso, quando se acham nesse estado, são repostos de vez em quando no estado de seus exteriores e, então, na lembrança de seus atos, quando estavam no estado dos interiores. Alguns, então, se envergonham e reconhecem que tinham sido insanos, mas alguns não se envergonham. Alguns ficam indignados por não lhes ser permitido estar continuamente no estado dos exteriores, mas a esses se mostra o que seriam se estivessem continuamente nesse estado, a saber, que maquinariam clandestinamente coisas semelhantes e, pela aparência do bem, do sincero e do justo, seduziriam os simples de coração e de fé; e eles próprios se perderiam totalmente, pois os exteriores se abrasariam, finalmente, com um incêndio semelhante ao dos interiores, que consumiria toda a sua vida.
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