. Os maus espíritos, quando estão nesse segundo estado, visto que se lançam em todo gênero de males, costumam ser freqüente e severamente punidos. As penas são múltiplas no mundo dos espíritos; não há consideração alguma pela pessoa, quer tenha sido rei ou servo no mundo. Todo mal traz consigo a sua pena; são conjuntos. Por isso, quem está no mal, também está na pena. Contudo, ninguém ali sofre pena por causa dos males que praticou no mundo, mas por causa dos males que então pratica. Resulta, todavia, no mesmo e é a mesma coisa dizer que sofram penas por causa de seus males no mundo ou dizer que sofram penas por causa dos males que praticam na outra vida, visto que cada um retorna à sua vida após a morte e, assim, aos males semelhantes, pois o homem é tal qual tinha sido na vida do seu corpo (n. 470-484). Que sejam punidos, é porque o temor da pena é o único meio de domar os males nesse estado. De nada mais vale a exortação, de nada mais vale a instrução nem o temor da lei e da reputação, porquanto se age pela natureza, que não pode ser coagida nem constrangida a não ser pelas penas. Mas os bons espíritos nunca são punidos, ainda que tenham praticado males no mundo, pois os seus males não retornam; e também foi dado saber que os seus males foram de outro gênero ou natureza, porque não foram de propósito contra o vero nem de coração mau, mas por aquilo que lhes viera dos pais por hereditariedade, ao qual foram impelidos por um prazer cego quando estavam nos externos separados dos internos.