. As instruções nos céus diferem das instruções nas terras no fato de os conhecimentos não serem direcionados à memória, mas à vida, pois a memória dos espíritos está na sua vida, porque recebem todas as coisas que concordam com a sua vida e delas se imbuem; e não recebem as que não concordam e ainda menos delas se imbuem, pois os espíritos são afeições e, assim, estão na forma humana similar às suas afeições. Como são assim, continuamente lhes é inspirada a afeição do vero por causa dos usos da vida, porque é provido pelo Senhor para que cada um ame os usos que convêm à sua índole. Esse amor também é exaltado pela esperança de que se tornarão anjos. Como todos os usos do céu se referem a um uso geral, que é em prol do reino do Senhor – que é, ali, a sua pátria – e visto que todos os usos especiais e singulares são proeminentes na proporção que mais consideram esse geral e mais dele se aproximam, por isso todos os usos especiais e singulares, que são inumeráveis, são bons e celestes. Por conseguinte, em cada um a afeição do vero se conjunta à afeição do uso, ao ponto de agirem como um só. Por esse meio o vero é implantando no uso, de modo que os veros que eles aprendem são veros do uso. Assim os espíritos angélicos são instruídos e preparados para o céu. Um afeição do vero conveniente ao uso é insinuada por vários meios, a maioria dos quais é ignorada no mundo. Isso se faz principalmente por representativos de usos que, no mundo espiritual, se apresentam de mil maneiras e com tais delícias e amenidades que penetram no espírito desde os interiores que são de sua mente até os exteriores que são de seu corpo e, assim, o afetam totalmente; assim, o espírito se torna seu uso, por assim dizer. Por esse motivo, quando vem à sua sociedade, na qual é iniciado por meio da instrução, está em sua vida quando está em seu uso *283. Por aí se pode ver que os conhecimentos, que são os veros externos, não fazem que alguém venha ao céu, mas a vida mesma, que é a vida do uso, inserida pelos conhecimentos.
*283 Que todo bem tenha seu prazer dos usos e segundo os usos e também sua qualidade; assim, qual é o uso, tal é o bem (n. 3049, 4984, 7038). Que a vida angélica consista em bens do amor e da caridade, assim, em se prestar usos (n. 454). Que o Senhor e, assim, os anjos, não considerem a não ser os fins, que são os usos no homem (n. 1317, 1645, 5854). Que o reino do Senhor seja o reino dos usos (n. 454, 696, 1103, 3645, 4054, 7038). Que servir ao Senhor seja prestar usos (n. 7938). Que o homem seja tal q uais são os usos nele (n. 1568, 3570, 4054, 6571, 6935, 6938, 10284).