HH 518

O Céu e o Inferno
Emanuel Swedenborg
O Céu e as suas Maravilhas, e o Inferno, Segundo o que foi ouvido e visto

. Havia uns espíritos que, no mundo, tinham-se persuadido pelos conhecimentos de que deveriam vir ao céu e serem recebidos mais do que os outros, porque tinham sido eruditos e tinham sabido muitas coisas da Palavra; e, pelas doutrinas das igrejas, acreditaram que eram sábios e que eram entendidos por aqueles de quem se disse que “brilhariam como o esplendor do firmamento e como estrelas” (em Daniel 12:3). Mas foram examinados quanto a se os seus conhecimentos residiam na memória ou na vida. Aqueles que tinham estado na genuína afeição do vero, assim, na afeição dos usos separados das coisas corpóreas e mundanas – como são, em si, os usos espirituais - após terem sido instruídos, foram também recebidos no céu e, então, foi-lhes dado saber o que é que brilha no céu, isto é, o Divino vero que é, ali, a luz do céu no uso, o qual é o plano que recebe os raios dessa luz e se torna em vários brilhos. Mas aqueles em que os conhecimentos tinham residido somente na memória, por conseguinte, aqueles que tinham adquirido a faculdade de raciocinar sobre os veros e de confirmar as coisas que receberam como princípio - as quais, ainda que fossem falsas, eles viam, depois da confirmação, como veros – esses não tinham estado em luz alguma do céu, mas na fé do orgulho que geralmente se adere a tal inteligência, a saber, a fé de que eram mais eruditos do que os outros e, assim, deveriam vir ao céu e que os anjos lhes serviriam. Por causa disso, para que fossem removidos de sua fé insensata, foram elevados ao primeiro ou extremo céu a fim de serem introduzidos em alguma sociedade angélica. Mas, quando se acharam na entrada, começaram a ter os olhos escurecidos pelo influxo da luz do céu, depois, o entendimento perturbado e, finalmente, começaram a perder a respiração, como moribundos. E quando sentiram o calor do céu, que é o amor celeste, começaram a ficar interiormente atormentados. Por isso, foram precipitados dali e, em seguida, instruídos que os conhecimentos não fazem o anjo, mas a vida mesma, que é obtida pelos conhecimentos. Porque os conhecimentos, considerados em si mesmos, estão fora do céu, mas a vida pelos conhecimentos, dentro do céu.

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