. Que seja impossível introduzir a vida do céu naqueles que, no mundo, levaram uma vida oposta à vida do céu, é o que posso atestar por muitas experiências. Havia alguns que tinham acreditado que iriam receber facilmente os Divinos veros após a morte quando os ouvissem dos anjos; iriam crer e, assim, iriam viver de outro modo, podendo, dessa maneira, ser recebidos no céu. Mas isso foi tentado com muito, porém somente com aqueles que tinham estado em semelhante fé, a quem isso foi permitido a fim de que soubessem que não existe penitência após a morte. Alguns deles, com que isso foi tentado, entenderam os veros e constatou-se que os receberam, porém rejeitaram-nos tão logo voltaram à vida do seu amor e até falaram com os veros. Alguns os rejeitaram imediatamente, não querendo ouvi-los. Outros quiseram que lhes fosse tirada a vida do amor que tinham contraído do mundo e, em lugar dela, lhes fosse inserida a vida angélica, ou a vida do céu. Isto, também, lhes foi feito por permissão, mas quando a vida do seu amor lhes foi tirada, jazeram como mortos, não mais senhores de si. Por esses e por outros modos de experiência, os bons simples foram instruídos que a vida de alguém não pode de forma alguma ser mudada após a morte; de maneira nenhuma a vida má pode ser transformada em boa, ou a infernal em angélica, porque cada espírito, da cabeça até o calcanhar, é tal qual o seu amor, por conseguinte, tal qual sua vida; transformar essa em uma oposta é destruir completamente o espírito. Os anjos asseveram que é mais fácil transformar uma coruja em pomba e um mocho em ave do paraíso do que um espírito infernal num anjo do céu. Que o homem permaneça, após a morte, tal qual tinha sido sua vida no mundo, veja-se acima, no capítulo próprio (n. 470-484). Por aí se pode ver, agora, que ninguém pode ser recebido no céu por misericórdia imediata.
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