. Se a vida do homem for considerada e examinada por uma intuição racional, constata-se que ela é tríplice, a saber, vida espiritual, vida moral e vida civil; e essas vidas são distintas, pois há homens que vivem a vida civil e não, todavia, a moral e espiritual; e há os que vivem a vida moral e não a espiritual; e há os que vivem tanto a vida civil quanto a moral e espiritual ao mesmo tempo. São esses últimos que vivem a vida do céu, enquanto os outros vivem a vida do mundo separada da vida do céu. Por esse preâmbulo pode-se ver que a vida espiritual não é separada da vida natural ou da vida do mundo, mas é conjunta a esta assim como a alma com o seu corpo; e, se fosse separada, seria como a habitação numa casa que não tem fundação, como acima se disse. Porque a vida moral e civil é o ativo da vida espiritual, pois à vida espiritual pertence o querer bem e à vida moral e civil o agir bem; se este for separado daquele, a vida espiritual consistirá somente de pensamento e linguagem e a vontade se retira, porque não tem apoio. E, todavia, a vontade é o espiritual mesmo do homem.