. Que não seja tão difícil como se crê viver a vida que conduz ao céu, pode-se ver pelo que agora se segue. Quem não pode viver a vida civil e moral? Pois cada um é iniciado nela desde a infância e a conhece pela vida no mundo. Além disso, qualquer um vive essa vida, o mau igualmente ao bom, pois quem não quer ser chamado sincero e quem não quer ser chamado justo? Quase todos exercitam a sinceridade e a justiça nos externos, até o ponto de parecerem justos e sinceros de coração ou que agem pela sinceridade e justiça mesmas. O homem espiritual deve viver semelhantemente, o que pode fazer tão facilmente quanto o homem natural, mas com esta única diferença: que o homem espiritual creia no Divino e aja sincera e justamente não somente porque isso é conforme as leis civis e morais, mas também porque é conforme as leis Divinas. Porque aquele que ao agir pensa no Divino, comunica-se com os anjos do céu e, tanto quanto faz isso, conjunge-se a eles. Assim se abre o seu homem interno que, considerado em si mesmo, é o homem espiritual. Quando o homem é tal, então é adotado e conduzido pelo Senhor sem que o saiba e, então, o sincero e o justo, que são da vida moral e civil que ele pratica, pratica-o por uma origem espiritual; e praticar o sincero e o justo por origem espiritual é praticá-los pelo sincero e pelo justo mesmos, ou, praticá-los de coração. Sua justiça e sua sinceridade aparecem na forma externa inteiramente semelhante à justiça e à sinceridade nos homens naturais, até mesmo nos maus e infernais, mas são inteiramente dessemelhantes na forma interna. Com efeito, os maus agem justa e sinceramente por causa de si e do mundo somente. Por esse motivo, se não temessem as leis e as penas, como também a perda da reputação, da honra, do ganho e da vida, agiriam inteiramente injusta e insinceramente, porquanto não temem a Deus nem a lei Divina alguma, não havendo, assim, laço interno algum que os detenha; por essa razão, tanto quanto podem, defraudam, saqueiam e espoliam os outros e isso por prazer. Que esses sejam tais interiormente, vê-se principalmente na outra vida, onde os externos são tirados de cada um e lhes são abertos os internos em que finalmente vivem na eternidade (veja-se acima, n. 499 - 511); então, aqueles que agem sem os vínculos externos que são, como se disse acima, os temores da lei e da perda da reputação, da honra, do ganho e da vida, agem de modo insano e zombam da sinceridade e da justiça. Mas os que agiram sincera e justamente por causa das leis Divinas, quando os externos lhe são tirados e eles são deixados nos internos, agem sabiamente, porque estão conjuntos aos anjos do céu, de quem lhes é comunicada a sabedoria. Por aí se pode agora ver que o homem espiritual pode agir inteiramente semelhante ao homem natural quanto à vida moral e civil, contanto que, quanto ao homem interno, ou à vontade e ao pensamento, esteja conjunto ao Divino (veja-se acima, n. 358-360).