. Foi-me representado, uma vez, o caminho que conduz ao céu e o que conduz ao inferno. Havia um caminho largo tendendo para a esquerda ou para o norte; apareciam muitos espíritos que ali andavam. Mas viu-se, à distância, uma pedra bem grande, onde o caminho largo terminava. Daquela pedra partiam dois caminhos, um para a esquerda e um, do lado oposto, para a direita. O caminho que tendia para a esquerda era apertado ou estreito, conduzido pelo ocidente ao sul e, assim, à luz do céu. O caminho que tendia para a direita era largo e espaçoso, conduzindo obliquamente para baixo, em direção ao inferno. Viu-se que todos foram pelo mesmo caminho até a grande pedra, na bifurcação, mas, quando chegaram ali, se separaram. Os bons se desviavam para a esquerda e entravam no caminho estreito que conduzia ao céu, mas os maus não enxergavam a pedra na bifurcação, caíam sobre ela e se feriam; e, quando se levantavam, corriam para o caminho largo, à direita, que tendia para o inferno. Foi-me depois explicado o que todas aquelas coisas significavam, a saber, pelo primeiro caminho – o largo em que muitos, tanto os bons quanto os maus, iam confabulando entre si como amigos porque nenhuma diferença entre eles aparecia à vista – eram representados aqueles que nos externos vivem semelhantemente sincera e justamente e não são discernidos à vista; pela pedra na bifurcação ou ângulo, na qual os maus caíram e da qual depois corriam para o caminho conduzindo ao inferno, é representado o Divino vero, que é negado por aqueles olham para o inferno. No sentido supremo, pela mesma pedra é também significado o Divino Humano do Senhor. Os que, porém, reconheciam o vero e, ao mesmo tempo, o Divino do Senhor, eram levados pelo caminho que conduzia ao céu. Por aí, novamente, se vê que os maus, igualmente aos bons, levam a mesma vida dos externos ou andam pelo mesmo caminho, assim, tão facilmente um como o outro; todavia, aqueles que reconhecem o Divino de coração, especialmente os que, dentro da Igreja, reconhecem o Divino do Senhor, são conduzidos ao céu, mas os que não O reconhecem são levados ao inferno. Os pensamentos do homem, procedentes da intenção ou da vontade, são representados na outra vida por caminhos. Ali também se apresentam à aparência caminhos absolutamente conforme os pensamentos da intenção; cada um também os percorre segundo seus pensamentos procedentes da intenção. Assim, pelos seus caminhos os espíritos e os seus pensamentos são conhecidos quais são. Por aí tornou-se-me evidente o que se entende pelas palavras do Senhor: “Entrai pela porta apertada, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz à destruição e muitos são os que nele andam; ... estreito é o caminho e apertada é a porta que conduz à vida e poucos são os que a encontram” (Mat. 7:13, 14). Que o caminho que conduz à vida seja estreito, não é porque seja difícil, mas porque são poucos os que o encontram, exatamente como foi dito. Por aquela pedra vista no ângulo, onde terminava o caminho largo comum e da qual dois caminhos foram vistos tender para regiões opostas, tornou-se evidente o que é significado por estas palavras do Senhor: “Acaso não lestes o que está escrito? A Pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça, no ângulo; todo aquele que cair sobre essa pedra será despedaçado” (Luc. 20:17, 18). “Pedra” significa o Divino vero e “Pedra de Israel” o Senhor quanto ao Divino Humano; os “edificadores” são os que pertencem à igreja; “cabeça de ângulo” é onde há os dois caminhos; “cair” e “ser despedaçado” é negar e perecer *286. *286 Que a "pedra" signifique o vero (n. 114, 613, 1298, 3720, 6426, 8609, 10376). Que, por isso, a Lei tenha sido escrita em tábuas que eram de pedra (n. 10376). Que a "Pedra de Israel" seja o Senhor quanto ao Divino Vero e quanto ao Divino Humano (n. 6 426).