. Mas aqui se dirá, primeiro, alguma coisa a respeito do equilíbrio. Sabe-se que quando dois agem mutuamente contra si, e um reage e resiste tanto quanto o outro age e impele, a força é nula para um e outro, porque há a mesma potência para ambas as partes e, então, ambos podem ser acionados à vontade por um terceiro. Pois quando a força é nula para os dois por uma oposição igual, a força do terceiro aciona tudo e tão facilmente como se não houvesse oposição alguma. Assim é o equilíbrio entre o inferno e o céu; mas não é o equilíbrio como entre dois que lutam com o corpo, quando a força de um equivale a força do outro, mas um equilíbrio espiritual, a saber, do falso contra o vero e do mal contra o bem. O falso do mal transpira continuamente do inferno e o vero do bem continuamente do céu. É esse equilíbrio espiritual que faz que o homem esteja no livre de pensar e de querer, porque tudo o que o homem pensa e quer se refere ou ao mal e ao falso procedente daí ou ao bem e ao vero procedente daí. Por conseguinte, quando há nele o equilíbrio, está no livre ou para admitir e receber o mal e, assim, o falso do inferno, ou para admitir e receber o bem e, assim, o vero do céu. Nesse equilíbrio cada homem é mantido pelo Senhor, porque Ele governa um e outro, tanto o céu quanto o inferno. Na seqüência, no capítulo próprio, se dirá por que o homem, embora seja mantido nesse livre pelo equilíbrio, não é despojado do mal e do falso e imbuído do bem e do vero pelo poder Divino.