. Todos os espíritos nos infernos, examinados em alguma luz do céu, aparecem na forma de seu mal. Com efeito, cada um é efígie de seu mal, porque em cada um os interiores e exteriores agem em comum e os interiores se apresentam à vista nos exteriores que são da face, do corpo, da linguagem e do gesto. Assim, ao exame, são reconhecidos quais são. Em geral, são forma de desprezo pelos outros, de ameaças àqueles que os não veneram; são formas de ódios de vários gêneros; são formas de vinganças também de vários gêneros; fúrias e crueldades que, por essas coisas, são transparentes dos interiores. Mas quando os outros os louvam, veneram e adoram, sua face se compõe e se mostra como se contente de prazer. Não se podem descrever em poucas palavras todas as formas que aparecem, porque nenhuma é semelhante à outra. Somente entre aqueles que estão num mesmo mal e, assim, numa mesma sociedade infernal, é que existe uma similitude comum, da qual, como um plano de derivação, as faces de cada um ali aparecem com alguma semelhança. Em geral, suas faces são medonhas e privadas de vida, como de cadáveres; as de alguns são negras, as de outros são ígneas como tochas, as de outros são deformadas por pústulas, varizes e úlceras. Em muitos a face não aparece, mas, em seu lugar, algo hirsuto ou ósseo. Em alguns só se vêem os dentes. Seus corpos são, também, monstruosos e a sua linguagem é como se procedesse da ira, do ódio ou da vingança, pois cada um fala pelo seu falso e ressoa pelo seu mal. Numa palavra, são, todos, imagens de seus infernos. Não foi permitido ver em que forma está o inferno mesmo, em geral; foi dito apenas que, assim como todo o céu em conjunto se refere a um só Homem (n. 59-67), assim também todo o inferno em conjunto se refere a um só diabo e também pode se apresentar numa efígie de diabo (veja-se acima, n. 544). Mas, em que forma se acham dispostos os infernos em particular, ou as sociedades infernais, foi-me concedido ver muitas vezes, pois, nas suas aberturas, que se chamam portas do inferno, aparece, na maioria das vezes, um monstro que representa em geral a forma dos que estão ali. A fúria dos que estão ali é, então, também representada por coisas medonhas e atrozes que dispenso mencionar. Deve-se saber, porém, que os espíritos infernais aparecem assim na luz do céu; entre eles mesmos, porém, aparecem como homens. Isto vem da misericórdia do Senhor, para que não estejam entre si nesses aspectos horríveis, tais como se mostram diante dos anjos. Essa aparência, todavia, é um engano, pois assim que se lança alguma luz do céu, suas formas humanas se convertem em monstruosas quais são em si mesmas, conforme se tratou acima, pois, à luz do céu, tudo aparece tal como é em si. Por isso é, também, que fogem da luz do céu e se precipitam na sua luz, a qual é como a de brasas e, em alguns lugares, com a de enxofre ardente. Mas, até essa luz se converte em mera escuridão quando ali influi alguma luz do céu. Assim é que se diz que os infernos estão na escuridão e nas trevas e, assim, “escuridão e trevas” significam os falsos provenientes do mal quais são no inferno.