. A princípio me admirei de que o amor de si e do mundo fossem tão diabólicos e de que aqueles que se acham neles sejam tão monstruosos, porque no mundo pouco se pensa no amor de si, mas na exaltação da mente nos externos que se chama soberba, a qual, visto que aparece à vista, é tida somente como sendo o amor de si. E, além disso, o amor de si que não se exalta assim é tido no mundo como sendo o fogo da vida pelo qual o homem é estimulado a buscar funções e a prestar usos, porque, se o homem não visse neles honra e glória, seu espírito se entorpeceria. Dizem: “Quem faz algo digno, útil e memorável senão para ser celebrado e honrado pelos outros ou na mente dos outros? E donde isso vem senão do fogo pela glória e pela honra, conseqüentemente, para si?” Assim, no mundo não se sabe que o amor de si, considerado em si mesmo, é o amor que reina no inferno e faz o inferno no homem. Visto que a coisa é assim, quero descrever primeiro o que é o amor de si e, em seguida, que desse amor se espalham todos os males e, assim, todos os falsos.