. Há dois gêneros de dominação: um é a do amor para com o próximo e o outro é a do amor de si. Essas duas dominações, em sua essência, são inteiramente opostas entre si. Quem domina pelo amor para com o próximo quer o bem de todos e nada ama mais do que os usos, assim, servir aos outros (por servir aos outros se entende querer bem aos outros e prestar usos, seja à igreja, à pátria, à sociedade ou ao concidadão). Tal é o seu amor e tal é o prazer de seu coração. Esse, também, quanto mais é elevado às dignidades acima dos outros mais se alegra, mas não por causa das dignidades, mas por causa dos usos que pode então prestar em abundância e num grau maior. Essa é a dominação nos céus. Quem, porém, domina pelo amor de si não quer bem algum a ninguém, mas a si somente. Os usos que presta são por causa da honra e da glória para si, que são para ele os únicos usos. Para ele, servir aos outros é com o fim de ser servido, honrado e com o fim de dominar. Ambiciona as dignidades não por causa dos bens que devem ser prestados à pátria e à igreja, mas para estar em eminência e glória e, assim, no prazer de seu coração. O amor de dominar também permanece em cada um após a vida no mundo, mas aos que dominam pelo amor para com o próximo também é confiada a dominação nos céus, todavia, não são eles que então dominam, mas os usos que eles amam; e quando os usos dominam, o Senhor domina. Mas aqueles que no mundo dominaram pelo amor de si, esses, após a vida no mundo, estão no inferno e, ali, numa vil escravidão. Vi poderosos que, no mundo, tinham dominado pelo amor de si serem rejeitados e postos entre os mais vis e os que ali estão nas latrinas.
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