. Há duas origens de calor: uma do Sol do céu, que é o Senhor, e a outra do sol do mundo. O calor que procede do Sol do céu ou o Senhor é um calor espiritual que, em sua essência, é o amor (veja-se acima, n. 126-140). Mas o calor que procede do Sol do mundo é o calor natural que, em sua essência, não é o amor, mas serve como receptáculo do calor espiritual ou amor. Que o amor seja calor em sua essência, pode-se ver pela inflamação da mente e, assim, do corpo pelo amor, segundo seu grau e sua qualidade e isso existindo no homem tanto no inverno quanto no verão. Depois, vê-se também pelo aquecimento do sangue. Que o calor natural, que existe pelo sol do mundo, sirva como receptáculo para o calor espiritual, vê-se pelo calor do corpo que é excitado pelo calor de seu espírito e o substitui; vê-se, principalmente, pelo calor da primavera e do verão em todos os gêneros de animais, que então retornam todos os anos aos seus amores. Não que esse calor efetue isso, mas porque dispõe os seus corpos para receber o calor que também influi neles do mundo espiritual, porque o mundo espiritual influi no natural como a causa no efeito. Quem crê que o calor natural produz os seus amores está muito enganado, pois o influxo é do mundo espiritual no mundo natural e não do mundo natural no espiritual. E todo amor, por ser a vida mesma, é espiritual. Depois, engana-se também quem crê que existe algo no mundo natural sem o influxo do mundo espiritual, pois o natural não existe nem subsiste senão pelo espiritual. É, também, pelo influxo dali que os sujeitos do reino vegetal tiram sua germinações. O calor natural, que é a estação da primavera e a do verão, apenas dispõe as sementes nas suas formas naturais, expandindo-as e abrindo-as para que o influxo do mundo espiritual aí opere a causa. Essas coisas foram citadas para que se saiba que existem dois calores, a saber, o espiritual e o natural, e que o calor espiritual procede somente do Sol do céu, enquanto o calor natural procede do sol do mundo; o influxo e, depois, a cooperação apresentam os efeitos que se mostram diante dos olhos no mundo *292. *292 Que o influxo seja do mundo espiritual no mundo natural (n. 6053-6058, 6189-6215, 6307-6327, 6466-6495, 6598-6626). Que haja também um influxo nas vidas dos animais (n. 5850). E também nos sujeitos do reino vegetal (n. 3648). Que esse influxo seja u m esforço contínuo de agir segundo a ordem Divina (n. 6211, no fim.).