. Visto que pelo fogo infernal se entende toda cobiça de fazer o mal oriunda do amor de si, por isso pelo mesmo fogo se entende também um tormento como o que existe nos infernos. Com efeito, a cobiça proveniente desse amor é a cobiça de prejudicar os outros que os não honram veneram e adoram; e quanto mais são tomados pela ira daí e, pela ira, quanto mais o são pelos ódios e vinganças, mais há neles cobiça de violentá-los. E quando tal cobiça existe em cada um numa sociedade onde não se está coagido pelos vínculos externos, que são os temores da lei e da perda da reputação, da honra, do ganho e da vida, então cada um por seu mal se arroja contra o outro e também o subjuga tanto quanto o pode, sujeitando os outros ao seu domínio; e, aos que não se submetem, trata ferozmente por prazer. Esse prazer é inteiramente conjunto ao prazer de mandar, a ponto de estarem num grau semelhante, porque o prazer de prejudicar tem em si inimizades, invejas, ódios e vinganças, que são os males desse amor, como foi dito acima. Todos os infernos são sociedades assim. Por isso, ali, cada um carrega no coração ódio contra o outro e, pelo ódio, se irrompe em ferocidade tanto quanto pode. Essa ferocidade e, assim, esse tormento são entendidos também pelo fogo infernal, pois são os efeitos das cobiças.
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