. No que concerne à pluralidade, os infernos são tão numerosos quanto às sociedades angélicas nos céus, porque a cada sociedade celeste corresponde, pelo oposto, uma sociedade infernal. Que as sociedades celestes sejam inúmeras e todas discriminadas segundo os bens do amor, da caridade e da fé, veja-se o capítulo sobre sociedades de que os céus consistem (n. 41-50) e o capítulo sobre a imensidade do céu (n. 415-420). Assim, as sociedades infernais, por semelhante modo, foram discriminadas segundo os males opostos aos bens. Cada mal, assim como cada bem, é de uma variedade infinita. Que isso seja assim, não o compreendem aqueles que têm somente uma idéia simples sobre cada mal, como o desprezo, a inimizade, o ódio, a vingança, o dolo e outros semelhantes. Saibam, porém, que cada um deles contém tantas diferenças específicas e, novamente, tantas diferenças específicas ou particulares que volumes não bastariam para enumerá-las. Os infernos são ordenados segundo as diferenças de cada um dos males e tão ordenadamente distintos que nada existe de mais ordenado e distinto. Assim se pode ver que são inumeráveis, um mais perto do outro e um mais afastado do outro, segundo as diferenças dos males no geral, na espécie e no particular. Há, também, infernos debaixo de infernos; há comunicações de alguns por passagens e há comunicações de muitos por exalações e isso inteiramente segundo as afinidades de um gênero e de uma espécie de mal com outros. Quão numerosos os infernos são, foi-me concedido saber pelo fato de que há infernos sob toda montanha, colina e rochedo e também sob toda planície e vale e, sob esses lugares, estendem-se no comprimento, na largura e na profundidade. Numa palavra, todo o céu e todo o mundo dos espíritos são, por assim dizer, escavados e por baixo deles há um contínuo inferno. Essas são as coisas a respeito da pluralidade dos infernos.
📥 Download
📚 Versão Impressa
Para estudo mais confortável, adquira esta obra em formato impresso.