LJ 15

O Juízo Final - E a Babilônia Destruída
Emanuel Swedenborg
Ocorrido no mundo espiritual em 1757
E mandará seus anjos com grande voz de trombeta, e ajuntarão seus escolhidos desde os quatro ventos, desde um fim dos céus até o outro. (Mateus 24:30)

. Outra causa para tal fé do homem da Igreja é que ele crê que ninguém vai para o Céu ou para o inferno antes do tempo do Juízo Final, a cujo respeito ele concebeu a opinião que todas as coisas que estão diante dos olhos devem então perecer. Também que existirão outras novas; que então a alma deve voltar em seu corpo e que por essa união o homem viverá, pela segunda vez, como homem. Esta crença envolve outra crença a respeito dos anjos, a saber, que eles foram criados desde o princípio; pelo fato de que não é possível crer que o Céu e o inferno provêm do gênero humano, quando se crê que nenhum homem pode ir para lá antes do fim do mundo. Mas para que o homem seja convencido de que isso não é assim, foi-me dado ter associação com os anjos e também falar com os que estão no inferno, agora e desde muitos anos, às vezes continuamente, desde a manhã até à noite, e assim ser instruído a respeito do Céu e do inferno. E isso me foi concedido para que o homem da Igreja não persista mais em sua fé errônea sobre a ressurreição no tempo do Juízo; sobre o estado da alma até essa época, sobre os anjos e sobre o diabo; fé esta que sendo a fé da falsidade envolve trevas, trás dúvidas, e, por fim, a negação para aqueles que pensam sobre tais coisas de acordo com a própria inteligência. Eles dizem em seus corações: Como um céu tão grande, com tantos astros, com sol e lua, pode ser destruído e dissipado? Como podem as estrelas do céu cair na terra se elas são maiores que ela? Como corpos comidos por vermes, consumidos pela putrefação e dissipados por todos os ventos podem ser reunidos às suas almas? Onde está a alma e o que é ela sem os sentidos que tinha quando estava no corpo? Além de muitas outras coisas semelhantes, que, por serem incompreensíveis, não caem na fé e destroem em muitos a fé na vida da alma depois da morte - no Céu ou no inferno - e com elas as coisas remanescentes que pertencem à fé da Igreja. Que essas coisas tenham sido assim destruídas fica evidente quando eles dizem: Quem veio do Céu para nós e contou que ele existe? O que é o inferno? Ele por acaso existe? O que deve ser entendido pelo homem ser atormentado no fogo pela eternidade? O que é o dia do Juízo? Não foi ele esperado em vão durante séculos? Além de muitas outras negações sobre tudo. Para que aqueles que pensam assim - como fazem muitos que por possuírem conhecimentos sobre coisas do mundo são chamados eruditos e sábios - não mais perturbem e seduzam os simples de fé e de coração, e introduzam neles mais trevas infernais a respeito de Deus, do Céu, da vida eterna e outras matérias dependentes destas, o Senhor abriu os interiores pertencentes ao meu espírito, e assim me permitiu falar com muitos falecidos, os quais eu conhecera na vida do corpo - com alguns durante dias, com alguns outros durante meses, com outros durante um ano - e, enfim com muitos outros que diria pouco se os avaliasse em número de cem mil, entre os quais muitos estavam nos Céus e muitos nos infernos. Falei também com alguns dois dias depois da sua morte, e lhes contei que naquele momento preparavam-se os seus funerais e as suas exéquias para enterrá-los. A isto eles respondiam que faziam bem em rejeitar o que lhes tinha servido no mundo para o corpo e suas funções, e eles queriam que eu dissesse que eles não estavam mortos, mas que viviam igualmente homens como antes, que eles apenas haviam emigrado de um mundo para o outro, e que eles sabiam que nada tinham perdido, pois estavam em um corpo, e nos sentidos daquele corpo, como anteriormente, e também no entendimento e na vontade, como anteriormente, pelo fato de terem semelhantes pensamentos e afeições; semelhantes sensações, volúpias e desejos, como tinham no mundo. A maior parte dos que haviam falecido recentemente, vendo que eles viviam homens como antes e num semelhante estado - porquanto depois da morte, o estado da vida é para cada um a princípio, tal qual fora no mundo, com a diferença que esse estado é sucessivamente mudado ou em Céu ou em inferno - eles eram afetados por uma nova alegria porque eles viviam, e diziam que não tinham crido em tal coisa e se admiravam muito em terem estado em tal ignorância e em tal cegueira sobre o estado de sua vida depois da morte. E, sobretudo, que o homem da Igreja esteja nessa ignorância e cegueira, mas que, entretanto poderia estar na luz sobre esse assunto mais do que todos que habitam a terra {*5}. Eles viam então, pela primeira vez, a causa dessa cegueira e dessa ignorância, a saber, que as coisas externas, que são mundanas e corporais, tinham invadido e enchido as suas mentes ao ponto que eles não podiam ser elevados à luz do Céu, nem considerar as coisas da Igreja além dos doutrinais. Isso porque pelos corporais e os mundanos - quando estes são tão amados como hoje - são influídas trevas quando o homem quer pensar sobre as coisas do Céu além do que ensina a doutrina da fé da sua Igreja.

EXTRATO DOS ARCANOS CELESTES:
{*5}Há poucos no Cristianismo hoje que crêem que o homem ressuscita logo depois da morte (prefácio ao capítulo 16 do Gênesis e parágrafos 4622 e 10758). Mas crê-se que ele ressuscitará no tempo do Juízo Final, quando o universo visível perecer (10591). Qual é a causa dessa crença (10594 e 10758). Contudo, o homem ressuscita depois da morte e então ele é homem quanto a tudo o que, em geral e em particular, constitui o homem (4527, 5006, 5078, 8939, 8991, 10594 e 10758). A alma que vive depois da morte é o espírito do homem, que no homem é o homem mesmo, e é também na outra vida em perfeita forma humana (322, 1880, 1881, 3633, 4622, 4735, 5883, 6054, 6605, 6626, 7021 e 10594). Isso é provado pela experiência (4527, 5006 e 8939) e provado pela Palavra (10597). A explicação do que se entende pelo fato de os mortos terem sido vistos na cidade santa (Mateus 27:53 e parágrafo 9229). Como o homem é ressuscitado dentre os mortos, por experiência (168 a 189). Do estado do homem depois da sua ressurreição (317 a 319, 2119, 5070 e 10596). Falsas opiniões sobre a alma e sobre a sua ressurreição (444, 445, 4527, 4622 e 4658).

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