LJ 25

O Juízo Final - E a Babilônia Destruída
Emanuel Swedenborg
Ocorrido no mundo espiritual em 1757
E mandará seus anjos com grande voz de trombeta, e ajuntarão seus escolhidos desde os quatro ventos, desde um fim dos céus até o outro. (Mateus 24:30)

. II. Todo homem; depois da vida no mundo, vive eternamente. Isso é evidente pelo fato de que o homem é então espiritual e não mais natural, e que o homem espiritual separado do homem natural permanece eternamente tal qual é, pois o estado do homem não pode ser mudado depois da morte. Além disso, o espiritual de cada homem está em conjunção com o Divino, por isso esse espiritual pode pensar no Divino, amar o Divino e ser afetado por todas as coisas que procedem do Divino (como as que a Igreja ensina). Por conseguinte, ele pode ser conjunto ao Divino pelo pensamento e pela vontade, que são as duas faculdades do homem espiritual e fazem a sua vida. O que pode ser conjunto ao Divino não morre por toda a eternidade, porque o Divino está nele e se conjunge com ele. O homem, quanto à sua mente, é criado segundo a forma do Céu, e a forma do Céu vem do Divino Mesmo, como se pode ver na obra "O Céu e o Inferno," onde se mostrou que o Divino do Senhor faz e forma o Céu (parágrafos 7 a 12, 78 a 86). Que o homem foi criado para ser o Céu na mínima imagem (57). Que o Céu em um só complexo representa um homem (59 a 66). Que ali cada anjo está em perfeita forma humana (73 a 77).
Um anjo é um homem quanto ao seu espiritual. Conversei algumas vezes sobre esse assunto com os anjos, os quais muito se admiraram de que entre os que são chamados inteligentes no mundo Cristão, e que parecem inteligentes aos olhos dos outros, haja um grande número que rejeita totalmente a fé na sua própria imortalidade, crendo que a alma do homem se dissipa depois da morte como a alma do animal, não percebendo essa diferença da vida entre o homem e o animal; a saber, que o homem pode pensar acima dele sobre Deus, sobre o Céu, o amor, a fé, o bem espiritual e o bem moral, os veros e outras coisas semelhantes; e que assim ele pode ser elevado ao Divino Mesmo e ser conjunto a Ele por meio de todas essas coisas, enquanto que os animais não podem ser elevados acima de seu natural para pensar em tais coisas; e que, por conseguinte o seu espiritual não pode ser separado de seu natural depois da morte {*9} nem viver por si como o espiritual do homem. É por esta mesma razão que a vida do animal se dissipa com a sua vida natural. A razão pela qual muitos inteligentes no mundo Cristão não crêem na imortalidade de suas vidas foi declarada a mim pelos anjos: isso é assim porque eles negam o Divino em seus corações e em Seu lugar reconhecem a natureza. Disseram também que os que pensam segundo tais princípios não podem pensar em uma eternidade através da conjunção com o Divino, nem, por conseqüência, em um estado do homem diferente do estado dos animais. Rejeitando de seu pensamento o Divino, eles rejeitam também a eternidade. Diziam mais os anjos que em cada homem há um grau íntimo ou supremo da vida - ou alguma coisa de íntimo ou de supremo no qual o Divino do Senhor influi primeiro ou mais de perto, e pelo qual Ele dispõe os demais interiores que pertencem ao homem espiritual e ao homem natural, os quais estão de acordo com os graus da ordem em ambos. Eles chamavam esse íntimo ou supremo de "a entrada do Senhor no homem" e de o "Seu domicilio mesmo nele." E diziam que é por esse íntimo ou supremo que o homem é homem e é distinto dos animais irracionais que não o têm, e que por isso é que os homens, diferentemente dos animais, podem, quanto aos interiores que pertencem a sua mente intelectual e a sua mente natural, serem elevados pelo Senhor até Ele Mesmo; crer n'Ele; serem afetados pelo amor para com Ele; receber a inteligência e a sabedoria, e falar segundo a razão.
Quando perguntei a respeito daqueles que negam o Divino e os divinos veros - pelos quais é efetuada a conjunção da vida do homem com o Divino Mesmo - e que ainda assim vivem eternamente, os anjos responderam que estes também têm a faculdade de pensar e de querer, por conseguinte de crer e de amar as coisas que procedem do Divino, assim como também têm aqueles que reconhecem o Divino. E é essa faculdade que faz com que eles vivam pela eternidade. Os anjos acrescentaram que essa faculdade lhes vêm daquele íntimo ou supremo que está em cada homem (dos quais se falou acima), e que até os que estão no inferno a têm. É por essa faculdade que eles raciocinam e falam contra os divinos veros, como foi mostrado em muitos lugares. Eis porque todo homem vive eternamente, seja qual for a sua qualidade. Como todo homem vive eternamente depois da morte, nunca anjo ou espírito algum pensa na morte. Eles até ignoram o que é morrer; é por isso que quando na Palavra se fala sobre a morte, os anjos entendem ou a danação, que é a morte no sentido espiritual, ou a continuação da vida e a ressurreição {*10}. Estas explicações foram dadas para que seja confirmado que todos os homens que nasceram e que morreram, desde o começo da criação, estão vivos, alguns no Céu e alguns no inferno.

EXTRATO DOS ARCANOS CELESTES.
{*9} Há também um influxo do Mundo Espiritual nas vidas dos animais, mas ele é comum, e não especial como no homem (parágrafos 1633, 3646). A diferença entre os homens e os animais é que os homens podem ser elevados acima deles mesmos para o Senhor, pensar no Divino e no amor, por conseguinte podem ser conjuntos ao Senhor, de onde recebem a vida eterna. Não se dá o mesmo com os animais, que não podem ser assim elevados (4525, 6323 e 9231).
{*10} Quando na Palavra se nomeia a "morte" em se tratando dos maus, no Céu se entende a danação, que é a morte espiritual, e também o inferno (5407, 6119 e 9008). Os que estão nos bens e nos veros são chamados "vivos," enquanto os que estão nos males e nos falsos são chamados "mortos" (81, 290 e 7494). Pela "morte," quando se trata dos bons que morreram, no Céu se entende a ressurreição e a continuação da vida, pois então o homem ressuscita, continua a sua vida, e entra na vida eterna (3498, 3505, 4618, 4621, 6036 e 6222).

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