. IV. Como todos que nascerem posteriormente vinham também para o Mundo Espiritual, esse mundo é tão grande e tal, que o mundo natural, em que estão os homens nas terras, não pode ser comparado a ele. Vê-se isso pela imensa multidão de homens que, desde a primeira criação, passaram para o Mundo Espiritual e lá estão juntos; depois pelos acréscimos contínuos provenientes do gênero humano que posteriormente vieram aumentá-lo, e isso sem fim, como se mostrou nos artigos 6 a 13; a saber, que as procriações do gênero humano nas terras não cessarão jamais. Quão imensa é a multidão de homens que já está lá, é o que me foi concedido ver quando meus olhos foram abertos. Ela era tão grande que dificilmente poderia ser enumerada, havendo miríades - e isso em um só lugar em direção a um só ponto cardeal. Quantos não haverá em todo o resto? Com efeito, todos foram reunidos lá em sociedades. Essas sociedades são em grande número, e cada sociedade em seu lugar forma três Céus, e sob esses, três infernos. Por isso há pessoas lá que estão nos lugares elevados, outras que estão nos médios e outras nos baixos; e sob eles, há os que estão nos lugares mais baixos, ou nos infernos. E os que estão acima habitam entre si como habitam os homens nas cidades, nas quais centenas de milhares se acham juntos. É evidente então que o mundo natural, no qual estão os homens nas terras, não pode ser comparado com aquele mundo quanto ao número do gênero humano; por isso, quando o homem passa do mundo natural para o Mundo Espiritual, é como ir de uma aldeia para uma grande cidade. Que o mundo natural não possa ser comparado ao Mundo Espiritual quanto à qualidade, é o que se pode ver não somente pelo fato de que todas as coisas que estão no mundo natural existam no Mundo Espiritual, como também pelo fato de que há lá inúmeras coisas que nunca foram vistas no mundo natural e que não podem apresentar-se à vista, pois lá os espirituais são formados, cada uma segundo o seu próprio tipo, em uma aparência quase natural, cada uma com uma variedade infinita, porque o espiritual excede o natural em tal excelência que há poucos espirituais que possam ser produzidos no sentido natural. O sentido natural não recebe uma só das mil coisas que a mente espiritual recebe; e todas que pertencem à mente espiritual se apresentam também em formas diante da vista dos homens espirituais. Esta é a razão pela qual o Mundo Espiritual não pode ser descrito quanto à sua magnificência e maravilha; e estas aumentam segundo a multiplicação do gênero humano nos Céus, porque todas as coisas lá se apresentam em formas correspondentes ao estado do amor e da fé de cada um; e, por conseguinte, quanto à inteligência e à sabedoria; assim com uma variedade que cresce continuamente conforme aumenta a multidão. Por isso, aqueles que foram elevados ao Céu dizem que eles viram e ouviram lá coisas que nunca olho algum viu e nenhum ouvido ouviu. Por estas explicações é evidente que o Mundo Espiritual é tal que o mundo natural não pode ser comparado a ele. Mais sobre o que vem a ser isso pode ser visto na obra "O Céu e o Inferno," onde se trata dos dois reinos do Céu (Parágrafos 20 a 28); das sociedades do Céu (41 a 50); dos representativos e das aparências no Céu (170 a 176); e da sabedoria dos anjos do Céu (265 a 275). Mas poucas são as coisas descritas ali.