. Tal é hoje o estado da igreja, isto é, que nela não há fé porque não há caridade. E onde não há caridade, também não há bem espiritual, porque este bem vem unicamente da caridade. Foi-me dito do Céu que em alguns ainda há um bem, mas tal bem não pode ser chamado de bem espiritual. Aquele bem é um bem natural, porque os divinos veros estão na obscuridade, e são os divinos veros que introduzem a caridade, pois eles a ensinam e a consideram como seu fim e alvo. Portanto, nenhuma caridade pode ser diferente dos veros que a forma. Os divinos veros de onde as doutrinas daquelas igrejas são tiradas, dizem respeito à fé só, por isso elas são chamadas doutrinas da fé e não consideram a vida. Os veros que visam unicamente a fé, e não a vida, não podem tornar o homem espiritual, pois enquanto estão fora da vida, elas são somente naturais, sendo meramente conhecidas e pensadas como outras coisas. Daí vem que o bem espiritual não é dado hoje, mas somente o bem natural a alguns. Além disso, toda igreja em seu começo é espiritual, porque ela começa pela caridade. Mas, no decorrer do tempo, ela se desvia da caridade para a fé. E então de interna, ela se torna externa. E quando se torna externa, ela chega a seu fim, porque então tudo é posto no conhecimento e pouco ou quase nada na vida. E tanto quanto o homem de interno se torna externo, a luz espiritual nele escurece até ao ponto que ele não pode ver o Divino Vero pelo vero mesmo, isto é, pela luz do Céu - pois o Divino Vero é a luz do Céu - mas somente pela luz natural, que é de tal natureza que quando só e não iluminada pela luz espiritual, ela vê o Divino Vero como se fosse noite e não a reconhece como vero, exceto quando ele foi assim chamado por um chefe e recebido pela assembléia comum. Daí vem que seu intelectual não pode ser ilustrado pelo Senhor, pois quanto mais a luz natural brilhar no intelectual, tanto mais a luz espiritual é obscurecida. A luz natural brilha no intelectual quando as coisas mundanas, corpóreas e terrestres são amadas mais do que as espirituais, as celestes e as Divinas; e na mesma proporção, o homem também é externo.