. Cumpre, porém, saber que o Juízo Final foi feito sobre os que viveram desde os tempos do Senhor até hoje e não sobre os que viveram antes. Com efeito, houve antes nesta terra dois Juízos Finais: um foi descrito na Palavra como o "Dilúvio," o outro, feito pelo Senhor Mesmo quando estava no mundo, o qual é entendido por estas palavras do Senhor: "Agora o juízo é deste mundo, agora o príncipe deste mundo é lançado fora" (João 12:31). E também: "Estas coisas falei a vós para que em Mim paz tenhas; confiai, Eu venci o mundo" (João 16:33). E também por estas palavras em Isaías: "Quem é este vem de Edom, caminhando na multidão da força d'Ele? Grande para salvar? O lugar pisei só, por isso pisei-os na ira minha; de onde esparsa foi a vitória deles sobre as vestimentas minhas porque o dia da vingança no coração meu, e o amo dos resgatados meus veio; por isso tornou-se para eles um Salvador" (Isaías 63, partes dos versículos 1 a 8). E em muitas outras passagens.
Se houve dois Juízos Finais sobre esta terra anteriormente, é porque todo Juízo se faz no fim de uma Igreja, como acima se mostrou em um artigo especial, assim, houve nesta terra duas Igrejas, a primeira antes do Dilúvio, e a segunda depois dele. A Igreja de antes do dilúvio é descrita nos primeiros capítulos do Gênesis pela nova criação do Céu e da terra, e pelo paraíso e o seu fim; pela ação de comer da árvore da ciência e pelos subseqüentes particulares. Seu Juízo Final é descrito pelo Dilúvio, tudo isso de acordo com o estilo da Palavra, a saber: por puras correspondências. No sentido interno ou espiritual, pela "criação do Céu e da terra" se entende a instauração de uma Nova Igreja (ver acima no primeiro artigo); pelo "paraíso no Éden," a sabedoria celeste dessa Igreja; pela "árvore da ciência" e pela "serpente," o conhecimento natural que a destruiu; e pelo "dilúvio" se entende o Juízo Final sobre os que tinham sido daquela Igreja.
A outra Igreja, que existiu depois do dilúvio, é também descrita em algumas passagens da Palavra, como por exemplo, em Deuteronômio 22:7 a 14 e em outros lugares. Esta Igreja estendeu-se por muitas terras do mundo asiático e continuou a existir entre os descendentes de Jacó, seu fim ocorreu quando o Senhor veio a este mundo. Um Juízo Final foi feito então por Ele sobre todos que pertenceram àquela Igreja, desde a sua primeira instauração, e, ao mesmo tempo, sobre o restante da primeira Igreja. O Senhor veio ao mundo a fim de repor na ordem todas as coisas nos Céus, e pelos Céus, todas as coisas nas terras, e ao mesmo tempo a fim de fazer Divino o Seu Humano; se isso não tivesse sido feito, ninguém poderia ter sido salvo. Que houve duas Igrejas nesta terra antes da vinda do Senhor, é mostrado em diversos lugares na obra "Arcanos Celestes," uma coleção de passagens tirada dela pode ser vista abaixo {*12}. Que o Senhor veio ao mundo para repor na ordem todas as coisas nos Céus, e, pelos Céus, nas terras; e também para fazer Divino seu Humano {*13}. A terceira Igreja nesta terra é a Igreja Cristã; o Juízo Final, do qual se trata agora, foi feito sobre esta Igreja, e ao mesmo tempo sobre todos que estavam no primeiro Céu desde a época do Senhor.
EXTRATO DOS ARCANOS CELESTES.
{*12} A primeira e mais antiga Igreja nesta terra foi a Igreja que é descrita nos primeiros capítulos do Gênesis, ela foi uma Igreja celeste e a principal de todas as igrejas (parágrafos 607, 895, 920, 1121 a 1124, 2896, 4493, 8891, 9942 e 10545). A qualidade dos que foram dessa Igreja e que estão no Céu (1114 a 1125). Eles estão na maior luz lá (1117). Depois do dilúvio houve várias Igrejas, que são chamadas "a Igreja Antiga" (1125 a 1127, 1327 e 10355). Por quais reinos da Ásia estendeu-se a Igreja Antiga (1238 e 2385). A qualidade dos homens da Igreja Antiga (609 e 895). A Igreja Antiga foi uma igreja representativa (519, 521 e 2896). Qual era a qualidade da Igreja Antiga quando ela começou a declinar (1128). A diferença entre a Igreja Antiqüíssima e a Igreja Antiga (597, 607, 640, 641, 765, 784, 895 e 4493). Sobre a Igreja começada por Eber, a qual foi chamada de Igreja Hebraica (1238, 1241, 1343, 4516 e 4517). A diferença entre a Igreja Antiga e a Igreja Hebraica (1343 e 4874). Sobre a Igreja instituída entre os descendentes de Jacó, ou filhos de Israel (4281, 4288, 4310, 4500, 4899, 4912, 6304, 7048, 9320, 10396, 10526, 10531 e 10698). Os estatutos, juízos e leis que foram comandados aos filhos de Israel, foram em parte semelhantes aos que existiam na Igreja Antiga (4449). De que modo os ritos representativos da Igreja instituída entre os filhos de Israel diferiam dos ritos representativos da Igreja Antiga (4288 e 10149). Na Igreja Antiqüíssima havia revelação imediata do Céu; na Igreja Antiga, pelas correspondências; na Igreja entre os filhos de Israel, de viva voz; e na Igreja Cristã, pela Palavra (10355). O Senhor foi o Deus da Igreja Antiqüíssima e também da Igreja Antiga, e Ele era chamado JEHOVAH (1343 e 3448).
{*13} O Senhor repôs todas as coisas em ordem, nos Céus e nos infernos, quando estava no mundo (4075, 4286 e 9937). Então o Senhor libertou o Mundo Espiritual dos antediluvianos (1266). A qualidade dos antediluvianos (310, 311, 560, 562, 563, 570, 581, 586, 607, 660, 805, 808, 1034, 1120, 1265 a 1272). Pelas tentações e vitórias, o Senhor subjugou os infernos e repôs todas as coisas na ordem, e ao mesmo tempo glorificou seu Humano (4287 e 9937). O Senhor fez isso por Ele Mesmo ou por Seu próprio poder (1692 e 9937). O Senhor combateu sozinho (8273). Desse modo, o Senhor tornou-Se a justiça e o mérito (1813, 2025, 2026, 2027, 9715, 9809 e 10019). Assim, o Senhor uniu Seu Humano ao Divino (1725, 1729, 1733, 1737, 3318, 3381, 3382 e 4286). A Paixão da cruz foi a última tentação e a completa vitória pela qual Ele Se glorificou, isto é, pela qual Ele fez Seu Humano Divino e subjugou os infernos (2772, 10655, 10659 e 10829 (10828?)). O Senhor não pôde ser tentado quanto ao Divino mesmo (2795, 2803, 2813 e 2814), por isso Ele tomou um humano de Sua mãe, no qual Ele admitiu as tentações (1414, 1444, 1573, 5041, 5157, 7193, 9315). Ele expulsou todo hereditário proveniente de Sua mãe e despojou o humano que recebera dela, até ao ponto que enfim não era mais seu filho, e revestiu-Se com um Humano Divino (2159, 2574, 2649, 3035 e 10830). Pela subjugação dos infernos e glorificação de Seu Humano o Senhor salvou os homens (4180, 10019, 10152, 10655, 10659 e 10828).