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O Juízo Final - E a Babilônia Destruída
Emanuel Swedenborg
Ocorrido no mundo espiritual em 1757
E mandará seus anjos com grande voz de trombeta, e ajuntarão seus escolhidos desde os quatro ventos, desde um fim dos céus até o outro. (Mateus 24:30)

. IV. Porque eles foram tolerados lá até o dia do Juízo Final. A razão para isso é que pertence à Ordem Divina preservar todos que podem ser preservados; e isso até que não possam mais estar entre os bons. Portanto, todos são preservados: aqueles que podem imitar a vida espiritual nos externos e mostrá-la na vida moral como se ela estivesse ali - sejam como forem quanto à fé e ao amor nos internos; e também aqueles que estão na santidade externa, embora não na interna. E assim eram muitos daquela religião, porque eles podiam falar piamente diante do povo e adorar santamente ao Senhor, a fim de implantar a religião em suas mentes e fazê-los pensar sobre o Céu e o inferno; bem como para mantê-los na prática dos bens por meio de suas prédicas. Dessa forma eles puderam conduzir muitos na vida do bem, por conseguinte, no caminho para o Céu; foi por isso também que muitos dentre os dessa religião foram salvos, ainda que poucos de seus líderes, os quais o Senhor deu a entender serem os falsos profetas "que vêm com vestimentas de ovelhas, e dentro são lobos devoradores" (Mateus 7:15). Pelos "profetas," no sentido interno da Palavra, se entendem os que ensinam os veros, e que, pelo vero, conduzem ao bem. E pelos "falsos profetas," os que ensinam o falso e seduzem pelo falso. Eles são como os escribas e os fariseus descritos pelo Senhor nestas palavras: "Na cadeira de Moisés estão sentados; todas as coisas que eles vos dizem de observar, observai e fazei, mas segundo as obras deles não façais, porque dizem e não fazem; todas as obras suas eles fazem para que dos homens sejam vistas; eles fecham o reino dos céus aos homens, eles, porém não entram; devoram as casas das viúvas a pretexto de fazerem longas preces. Ái de vós, hipócritas! Limpas o exterior do copo e do prato, os interiores porém estão cheios de rapina e iniqüidade; limpai primeiramente o interior do copo e do prato para que seja também o externo limpo; sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora aparecem belos, por dentro, porém, cheios estão de ossos de mortos; assim também verdade vós por fora apareceis aos homens como justos, no interior porém cheios estais de hipocrisia e iniqüidade" (Mateus 23:2 a 28). Se eles foram tolerados, é também porque cada um depois da morte retém a religião da qual foi imbuído no mundo; e naquela religião ele é introduzido tão logo entre na outra vida. A religião foi implantada nos daquela gente pelos que proferiam com a boca e fingiam gestos santos, e imprimiam a fé que podiam salvar. Foi por isso que tais homens não foram removidos, mas conservados entre os seus. A razão principal para isso é que, de um Juízo a outro são conservados todos que vivem, nos externos, uma vida semelhante à vida espiritual, imitando a piedade e a santidade internas, pelos quais os simples podem ser instruídos e conduzidos, porque os simples de fé e de coração não olham além do que é externo e aparente aos olhos. Portanto, foram tolerados todos os que tinham sido tais, desde o começo da Igreja Cristã até o dia do Juízo. Que o Juízo final tenha sido feito duas vezes antes - e que agora seja pela terceira vez, é o que se mostrou acima. Todos esses constituíam o "Céu precedente" e são significados no Apocalipse pelos "que não são da primeira Ressurreição" (20:5 e 6). Mas como eles eram como os descritos acima, aquele Céu foi destruído e os da segunda Ressurreição foram lançados fora.
Cumpre, entretanto saber que só foram preservados os que se submeteram a estar nos vínculos pelas leis, tanto civis como espirituais, e assim tinham podido viver juntos em sociedade. Mas os que não puderam ser preservados foram lançados no inferno muito tempo antes do dia do Juízo Final. Assim as sociedades foram continuamente purificadas e purgadas de tais. Daí vem que os que tiveram uma vida perversa, e incentivaram o povo comum a praticar males, e recorreram a artifícios abomináveis, como os que existem naqueles que estão no inferno (dos quais se falou na obra "O Céu e o Inferno," 580), foram expulsos das sociedades, cada um a seu tempo. Do mesmo modo, os que eram interiormente bons foram retirados das sociedades a fim de que não fossem corrompidos pelos que eram interiormente maus, pois os que são bons percebem os interiores e por isso mesmo não consideram os exteriores, senão tanto quanto eles concordam com os interiores; estes foram enviados, cada um a seu tempo, antes do Juízo, para os lugares de instrução de que se falou na obra "O Céu e o Inferno" (512 a 520), e dali eles foram arrebatados ao Céu; porque foi com eles que se formou o "novo Céu" e foram eles os que são entendidos pelos da "primeira ressurreição." Estas coisas foram ditas para que se saiba a razão por que tão grande número dos que eram da religião papal foram tolerados e preservados até o dia do Juízo Final. Mas se dirá mais a respeito deste mesmo assunto no artigo seguinte, onde se tratará do "Céu precedente" que passou.

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