. X. SOBRE O CÉU PRECEDENTE E SUA ABOLIÇÃO. É dito no Apocalipse que: "Vi um trono grande e Alguém sentado em cima, de cujo aspecto fugiu a terra e o céu, deles um lugar não foi achado" (20:11). E depois: "Vi um céu novo e uma terra nova e o primeiro céu e a primeira terra tinham passado" (21:1). Que pelo "novo céu e a nova terra," e pela passagem do "primeiro céu e da primeira terra," não tenha significado o céu visível, nem a nossa terra habitada, mas o Céu angélico e a Igreja é o que se mostrou acima no primeiro artigo e também nos seguintes. Com efeito, a Palavra em si mesma é espiritual, por conseguinte ela trata de coisas espirituais, e os espirituais são as coisas que pertencem ao Céu e à Igreja. Essas coisas se mostram no sentido da letra através de coisas naturais, porque as coisas naturais servem de base para as espirituais, e sem essa base a Palavra não seria uma obra Divina, porque não seria completa. O natural, que é o último na ordem Divina, a completa e faz com que seus interiores, que são os espirituais e os celestes, subsistam sobre ele, como uma casa sobre as suas fundações. Ora, como o homem pensa pelo natural sobre as coisas que estão na Palavra, e não pelo espiritual, não se entendeu outra coisa pelo "Céu" e pela "terra," mencionados aqui e em outros lugares, senão o céu e a terra que existem no mundo da natureza. Daí vem que cada um espera que eles passem e que sejam destruídos, e que então novos serão criados. Mas para que não se espere por isso perpetuamente e em vão pelos séculos, o sentido espiritual da Palavra foi aberto para que se saiba o que é entendido por muitas coisas ali, as quais não vêm ao entendimento quando se pensa nelas naturalmente, e, ao mesmo tempo, o que é entendido pelo Céu e pela terra que passarão.