LORD &15

Doutrina do Senhor
Emanuel Swedenborg
Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor

. O Senhor, pela paixão da cruz, não tirou os pecados, mas os portou

15. Há alguns dentro da Igreja que acreditam que o Senhor, pela paixão da cruz, tirou os pecados e satisfez ao Pai e, assim, fez a redenção. Alguns crêem, também, que, por terem fé no Senhor, Ele levou em Si os seus pecados, carregou-os como se tivesse lançado num profundo mar, isto é, no inferno. Confirmam isso por essas palavras de Jesus em João:
"Eis o Cordeiro de Deus que carrega os pecados do mundo" (Jo. 1:29),
e pelas palavras do Senhor em Isaías:
"Ele levou as nossas doenças, e nossas dores portou; ... ferido por nossas prevaricações, traspassado por nossas iniqüidades, o castigo de nossa paz [estava] sobre Ele... por Suas feridas nos deu a sanidade. ... JEHOVAH fez lançar sobre Ele as iniqüidades de todos nós. O desterro suportou, e foi afligido, todavia, não abriu a Sua boca; como cordeiro para a matança foi levado... da terra dos viventes por causa da prevaricação do Meu povo, a praga deles; para dar os ímpios por Seu sepulcro, e os ricos em Sua morte; ... do trabalho de Sua alma viverá, e ficará saciado. Por sua ciência justificará a muitos, pois que em Si portou a iniqüidade deles... Esvaziou até à morte a Sua alma, e com os prevaricadores foi contado, e o pecado de muitos tirou, e pelos prevaricadores intercedeu" (53:4-12).
Estas palavras foram ditas a respeito das tentações do Senhor e de Sua paixão. E por "tirar os pecados e as enfermidades", como também por "fazer lançar sobre Ele a iniqüidade de todos" se entende o mesmo que "portar as dores e as iniqüidades".
[2] Assim, pois, dir-se-á em primeiro lugar o que se entende por "portar as iniqüidades" e, em seguida, o que se entende por "tirá-las". Por "portar as iniqüidades" não se entende outra coisa senão suportar graves tentações, assim, sofrer como os judeus fizeram com Ele da maneira que tinham feito com a Palavra, pois o trataram semelhantemente, porque Ele era a Palavra. Com efeito, a Igreja que então havia com os judeus tinha sido inteiramente devastada. E foi devastada pelo fato de terem pervertido toda a Palavra, até o ponto de não haver nenhum resíduo do vero. Por esse motivo não reconheceram o Senhor. Fez-se de modo semelhantemente com os profetas, que representavam para eles o Senhor quanto à Palavra e, daí, quanto à Igreja, e o Senhor foi o Profeta mesmo.
[3] Que o Senhor tenha sido o Profeta mesmo, pode-se ver por estas passagens:
"Jesus disse... Um profeta não é menos honrado do que aquele em sua pátria, e em sua casa" (Mt. 13:57; Mc. 6:4; Luc. 4:24);
Jesus disse: "Não convém ao profeta perecer fora de Jerusalém" (Luc. 13:33);
Disseram sobre Jesus: "Ele é o profeta de Nazareth" (Mat. 21:11; Jo. 7:40).
"Apoderou de todos o temor, louvando a Deus e dizendo que um grande profeta foi levantado entre" eles" (Luc. 7:16) .
Que um profeta "sairia do meio dos irmãos, cujas palavras obedecessem" (Deut. 18:15-19).
Que tenha sucedido o mesmo com os profetas, vê-se pelas citações que agora se seguem. Foi ordenado ao profeta Isaías, para que representasse o estado da Igreja,
Que desprendesse o cilício de sobre seus ombros, e tirasse o calçado de seu pé, e fosse nu e descalço por três anos, por sinal e por prodígio (Isa. 20:2-3).
[4] Foi ordenado ao profeta Jeremias, para que representasse o estado da igreja,
Que conseguisse para si um cinto, e o pusesse sobre seus lombos, que não passasse pela água, e o escondesse numa fenda da rocha junto ao Eufrates; que, depois de dias o achasse apodrecido (Jer. 13:1-7).
O mesmo profeta representou o estado da Igreja por isto,
Que não tomasse para si esposa naquele lugar, nem entrasse em casa de luto, nem saísse a lamentar, nem entrasse em casa de banquete (Jer. 16:2, 5, 8).
[5] Foi ordenado ao profeta Ezequiel, para que representasse o estado da Igreja,
Que fizesse passar uma navalha de tosquiadores sobre sua cabeça, e sobre sua barba, e depois a dividisse, e queimasse terça parte dela no meio da cidade, terça [parte] ferisse com espada, terça [parte] espalhasse ao vento, e um pouco deles atasse na roupa e, finalmente, o lançasse no meio do fogo e o queimasse (Ezeq. 5:1-4).
Ao mesmo profeta, para que representasse o estado da Igreja, foi ordenado
Que fizesse vasos de migração, e migrasse para outro lugar, aos olhos dos filhos de Israel, e tirasse os vasos durante o dia, e saísse à tarde por uma abertura na parte, e cobrisse as faces para que não visse a terra; e que, assim, fosse um prodígio para a casa de Israel; e que o profeta dissesse: "Eis, sou um prodígio para vós; da maneira como fiz, assim lhes fará" (Ezeq. 12:3-7, 11).
[6] Ao profeta Oséias, para que representasse o estado da Igreja, foi ordenado
Que tomasse para si uma meretriz por esposa; e que também a recebesse, e ela parisse para ele três filhos, dos quais um se chamou "Jisreel", o outro "Não digno de compaixão", e o terceiro "Não [Meu] povo" (Oséias 1:2, 9).
E, de novo, foi-lhe ordenado
Que fosse e amasse uma mulher amada de um amigo e adúltera, a qual também comprou para si por quinze [peças] de prata (Oséias 3:1, 2).
[7] Ao profeta Ezequiel, para que representasse o estado da Igreja, foi ordenado
Que tomasse um tijolo e gravasse sobre ele "Jerusalém", e fizesse cerco, e fizesse uma trincheira e um amontoado contra ela; pusesse uma panela de ferro entre si e a cidade, e se deitasse sobre o lado esquerdo, e depois sobre o direito, trezentos e noventa dias. Depois tomasse trigo, cevada, lentilha, milho e espelta, e com esses fizesse pão para si, o qual comeria conforme a medida. E, também, que fizesse para si um bolo de cevada com esterco de fezes de homem; e como ele suplicou, foi ordenado que o fizesse com excremento de boi (Ezeq. 4:1-15).
Além disso, os profetas também representaram outras coisas, como Zedequias, pelos chifres de ferro que fez para si (I Re. 22:11), e outro profeta, por ser ferido e cortado, e ter posto cinza sobre os olhos (I Re. 20:35, 38).
[8] Em geral, os profetas, ao usarem uma túnica de pele, representavam a Palavra em seu sentido último, que é o sentido da letra (Zac. 13:4). Por isso Elias se vestia de uma tal túnica, e cingia-se de um cinto de couro em volta dos lombos (2 Re. 1:8). João Batista, semelhantemente, tinha vestes de pelo de camelo, e um cinto de couro em volta de seus lombos, e comia gafanhoto e mel agreste (Mat. 3:4). Por aí se pode ver que os profetas representaram o estado da Igreja e da Palavra. Com efeito, o que representa um, representa também o outro, pois a Igreja provém da Palavra, e segundo sua recepção de vida e fé. Por isso, também, pelos "profetas", onde são nomeados em e outro Testamentos, é significada a doutrina da Igreja proveniente da Palavra, mas pelo Senhor, como o Maior Profeta, é significada a Igreja mesma e a Palavra mesma.

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