. (iv). Que o Senhor tenha feito Divino o Seu Humano por meio de tentações em Si admitidas, e então por contínuas vitórias, foi tratado acima (n. 12-14), ao que deve ser acrescentado somente o seguinte: as tentações não são outra coisa senão combates contra os males e os falsos, e como os males e os falsos vêm do inferno, assim, são também combates contra o inferno. Também no homem que sofre tentações espirituais, há espíritos maus do inferno, que as induzem. O homem ignora que os maus espíritos induzem tentações, mas que isto é assim, foi dado saber por muitas experiências.
[2] Por isso é que o homem, quando, pelo Senhor, vence nas tentações, é tirado do inferno e elevado ao céu. Daí vem que o homem, pelas tentações ou combates contra os males, torna-se espiritual e, assim, um anjo. Mas o Senhor combateu por Seu próprio poder contra todos os infernos, e assim inteiramente os domou e subjugou, e os mantém domados e subjugados pela eternidade, uma vez que, ao mesmo tempo, por esse meio Ele glorificou o Seu Humano.
[3] Com efeito, antes do advento do Senhor os infernos tinham crescido a uma altitude tal que começaram a infestar os próprios anjos do céu, e, do mesmo modo, todo homem que vinha ao mundo e saía do mundo. A razão de os infernos terem crescido até essa altitude era porque a Igreja estava inteiramente devastada e os homens do mundo estavam em meros males e falsidades pelas idolatrias, e os infernos são provenientes de homens. Daí era que, se o Senhor não viesse ao mundo, nenhum homem poderia ser salvo.
[4] Muito se trata nos Salmos de David e nos Profetas desses combates do Senhor, mas pouco nos Evangelhos. São esses combates que se entendem pelas tentações que o Senhor suportou, das quais a última foi a paixão na cruz. É por eles que o Senhor é chamado Salvador e Redentor. Isto é tão bem conhecido na Igreja, que dizem que o Senhor venceu a morte ou ao diabo, isto é, o inferno, e que ressurgiu com vitória; e também que, sem o Senhor, não há salvação. Que Ele também tenha glorificado o Seu Humano e que, por isso, fez-Se Salvador, Redentor, Reformador e Regenerador pela eternidade, será visto na seqüência.
[5] Que o Senhor Se tenha feito Salvador por meio de lutas ou tentações, vê-se pelas passagens abundantemente referidas acima (ns. 12-14), e por esta, em Isaías:
"O dia da vingança [está] em Meu coração, e o ano dos Meus redentores chegou. ... Pisei[-os] na Minha ira... fiz descer à terra a vitória deles... assim tornou-Se Salvador para eles" (Isa. 63:4, 6, 8).
Trata-se nesse dos combates do Senhor. E em David:
"Levantai, ó portas, as vossas cabeças... erguei-vos, ó entradas do mundo, para que entre o Rei da glória. Quem é esse Rei da glória? JEHOVAH, poderoso e herói, JEHOVAH herói de guerra" (Sal. 24:7, 8);
essas palavras também são respeito ao Senhor.
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