. A doutrina da caridade, que é a doutrina de vida, foi a doutrina mesma nas Igrejas Antigas (a respeito dessas igrejas, vide, nos Arcanos Celestes, os n. 1238 e 2385), e essa doutrina conjungia todas as igrejas e, assim, de todas fazia uma, pois se reconheciam como homens da igreja todos aqueles que viviam no bem da caridade, e eles eram chamados irmãos, por mais que divergissem além disso nos veros que hoje se dizem da fé. Nesses, um instruía ao outro, o que consistia uma de suas obras de caridade. E, também, não ficavam indignados se um não concordasse com a opinião do outro, sabendo-se que cada um recebe o vero na medida que está no bem. Como os da Igreja Antiga foram tais, por isso foram homens interiores; e como foram interiores, foram os mais sábios, porque os que estão no bem do amor e da caridade estão no céu quanto ao homem interno e, quanto a este, estão ali em alguma sociedade angélica que esteja em semelhante bem. Daí há a elevação de suas mentes para os interiores e, consequentemente, daí eles têm sabedoria, porque a sabedoria não pode vir de outra parte senão do céu, isto é, do Senhor pelo céu, e no céu há sabedoria porque ali se está no bem. A sabedoria é ver o vero pela luz do vero, e a luz do vero é a luz em que o céu está. Mas a sabedoria antiga decresceu no decorrer do tempo, porque, na medida em que o gênero humano se afastou do bem do amor ao Senhor e do amor para com o próximo – amor esse que se chama caridade – assim também se afastou da sabedoria, porque na mesma medida se afastou do céu. Daí é que o homem se tornou externo e também se tornou mundano e corpóreo; e quando é tal, pouco cuida das coisas que são do céu, pois então se apoderam dele todos os prazeres dos amores terrestres e, com estes, os males, que, por esses amores, são prazeres para o homem. Então, as coisas que ele ouve a respeito da vida após a morte e a respeito do céu e do inferno, em suma, as coisas espirituais, estão como se estivessem fora e não dentro dele, como, todavia, deveriam estar. Daí também é que a doutrina da caridade, que era tão preciosa entre os antigos, está hoje entre as coisas perdidas. Com efeito, quem hoje sabe o que é a caridade no sentido genuíno e quem é, no sentido genuíno, o próximo? Quando, todavia, essa doutrina ensina não somente isso, mas inúmeras coisas além, das quais não se sabe hoje a milésima parte. Toda a Escritura Santa não é outra coisa senão a doutrina do amor e da caridade, o que o Senhor também ensina, dizendo: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e em toda a tua alma, e em toda a tua mente. Este é o primeiro e grande mandamento. … O segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos... dependem a Lei e os Profetas” (Mt. 22:37-39). ‘A Lei e os Profetas’ são a Palavra em todas e cada uma das coisas.