. Do profano e da profanação (de que se tratou acima, n. 169, na Doutrina). Que a profanação seja a mistura do bem com o mal, e também do vero com o falso, no homem (n. 6348). Que profanar os bens e os veros, ou as coisas santas da igreja e da Palavra, não seja possível senão àqueles que primeiro os reconhecem, creem neles, e ainda se vivem de acordo com eles, e em seguida se afastam da fé, não creem neles e vivem para si e o mundo (n. 593, 1008, 1010, 1059, 3398, 3399, 3898, 4289, 4601, 8394 e 10287). Aquele que na infância crê nos veros e, depois, não crê, profana levemente, enquanto aquele que depois confirma os veros em si e depois os nega, profana gravemente (n. 6959, 6963 e 6971). Que também profanem os que creem nos veros e vivem no mal, e também os que não creem nos veros e vivem santamente (n. 8882). Que o homem profane se, depois da penitência de coração, cair de novo nos males anteriores, e que então seu estado posterior seja pior do que o anterior (n. 8394). Que profanem os que no mundo cristão contaminam as coisas santas da Palavra por imundos pensamentos e conversas (n. 4050 e 5390). Que haja vários gêneros de profanações (n. 10287). Que não possam profanar as coisas santas aqueles que não as reconhecem, ainda menos aqueles que não as sabem (n. 1008, 1010, 1059, 9188 e 10287). Que aqueles que estão dentro da igreja possam profanar as coisas santas, mas não aqueles que estão fora (n. 2051). Que os gentios, que estão fora da igreja e não têm a Palavra, não possam profanar (n. 1327, 1328, 2051 e 9021). Que tampouco os judeus possam profanar as coisas interiores da Palavra e da igreja, porque não as reconhecem (n. 6963). Que, por isso, os veros interiores não foram desvendados aos judeus, porque, se fossem desvendados e reconhecidos, eles os teriam profanado (n. 3398, 3479 e 6963). A profanação se entende pelas palavras do Senhor citadas acima (n. 169), a saber “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, mas não os encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E quando vem, encontra-a vazia, e varrida, e ornada para ele. Então vai a ajunta a si sete outros espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali. E os [estados] posteriores do homem se tornam piores do que os primeiros” (Mt. 12:43-45). Pelo fato de ‘o espírito imundo sair do homem’ entende-se a penitência daquele que está no mal; por ‘andar por lugares áridos e não encontrar repouso’ se entende que a vida do bem para ele é tal; pela ‘casa’, à qual volta e a encontra vazia e ornada para ele, entende-se o homem mesmo e a sua vontade, que é desprovida do bem; por ‘sete espíritos’ que ajunta a si e com os quais volta entende-se o mal conjunto ao bem; por ‘seu estado então pior do que o anterior’ se entende a profanação. Este é o sentido interno destas palavras, pois o Senhor falou por correspondências. O mesmo se entende pelas palavras do Senhor ao que foi curado no tanque de Bethesda: “Eis que foste curado; não peques mais, para que não te suceda algo que é pior do que antes” (Jo. 4:14); E, também, por estas palavras: “Cegou os seus olhos, e endureceu os seus corações, para que não vejam com os olhos e entendam com o coração, e se convertam, e Eu os cure” (Jo. 12:40); ‘converter-se e ser curado’ é profanar, o que acontece quando eles reconhecem os veros e bens e, depois, os rejeitam. Assim teria acontecido se os judeus se convertessem e fossem curados, como acima foi dito. Que a sorte dos profanadores na outra vida seja a pior de todas, porque o bem e o vero, que eles reconheceram, permanecem, e também o mal e o falso; e, como são coerentes, faz-se uma dilaceração da vida (n. 571, 582 e 6348). Que, por isso, seja mormente provido pelo Senhor que não haja profanação (n. 2426 e 10287). Que, por esse motivo, o homem seja afastado do reconhecimento e da fé, se não puder permanecer neles até o fim da vida (n. 3398 e 3402). Que, por isso, o homem seja mantido antes na ignorância e no culto externo (n. 301-303, 1327 e 1328). Que, também, o Senhor esconda nos interiores do homem os veros e bens que ele recebeu pelo reconhecimento (n. 6595). Que os veros interiores, para não serem profanados, não sejam revelados antes que a igreja esteja em seu fim (n. 3398 e 3399). Por esse motivo o Senhor então veio ao mundo e abriu os veros interiores, quando a igreja foi inteiramente devastada (n. 3398). Vide as coisas que a respeito disso foram citadas no opúsculo O Juízo Final e a Babilônia Destruída (n. 73 e 74). Que ‘Babel’, na Palavra, signifique a profanação do bem, e ‘Caldéia’ a profanação do vero (n. 1182, 1283, 1295, 1304, 1306-1308, 1321, 1322 e 1326). Que a essas profanações correspondam, na Palavra, os graus proibidos ou imundos de adultérios (n. 6348). Que a profanação seja representada por comer o sangue na Igreja Israelita e Judaica, pelo que isso lhes foi tão severamente proibido (n. 1003). * * * * * * *